Operação conjunta prende um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio de Janeiro
Adilson Oliveira Coutinho, conhecido como Adilsinho, foi preso nesta quarta-feira em uma operação coordenada pelo Ministério Público, Polícia Federal e Polícia Civil do Rio de Janeiro. Considerado pelas autoridades como uma das figuras centrais da cúpula do jogo do bicho no estado, o contraventor é investigado por comandar um esquema criminoso multifacetado que movimenta milhões de reais mensalmente.
Esquema milionário com múltiplas frentes ilícitas
De acordo com as investigações, o grupo comandado por Adilsinho atuava em diversas frentes criminosas, indo muito além da tradicional exploração do jogo do bicho. A organização mantinha pontos de apostas em bairros da Zona Norte e da Baixada Fluminense, além de operar máquinas caça-níqueis distribuídas por bares e estabelecimentos comerciais em toda a região metropolitana.
Segundo documentos do Ministério Público, parte significativa dos lucros obtidos com essas atividades ilícitas era utilizada para corromper agentes públicos e manter a estrutura operacional da organização, que contava com divisão de funções bem definida e segurança armada para proteger pontos estratégicos.
Contrabando de cigarros e suspeitas de trabalho escravo
Outro braço importante do esquema era o comércio ilegal de cigarros contrabandeados, principalmente originários do Paraguai. A Polícia Federal estima que apenas essa atividade renda à quadrilha um faturamento mensal mínimo de R$ 50 milhões.
As investigações revelam que o dinheiro obtido com o contrabando financiou não apenas a corrupção de agentes públicos, mas também investimentos em atividades ilícitas no Paraná e um estilo de vida luxuoso nos Estados Unidos, incluindo a aquisição de carros Ferrari e um jatinho executivo avaliado em R$ 4,5 milhões.
Mais grave ainda são as suspeitas de exploração de trabalho análogo à escravidão em fábricas clandestinas de cigarros. Em operações realizadas em 2022 e 2023 em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foram resgatados paraguaios mantidos em condições degradantes, com jornadas exaustivas e precárias condições de higiene e segurança.
Violência e disputas territoriais
A Polícia Civil investiga o envolvimento do grupo em assassinatos relacionados a disputas pelo controle de áreas do jogo do bicho. Entre os casos apurados está a morte do advogado Rodrigo Marinho Crespo, ocorrida em 26 de fevereiro de 2024, na qual Adilsinho é apontado como possível mandante.
Os investigadores sustentam que a violência era utilizada sistematicamente como forma de intimidação contra rivais e até contra integrantes da própria organização que desafiavam a autoridade do líder.
Herdeiro de tradição familiar na contravenção
Adilsinho é considerado herdeiro de uma das mais antigas famílias envolvidas com o jogo do bicho no Rio de Janeiro. Ao longo dos anos, ele teria ampliado significativamente o poder econômico e territorial do grupo, diversificando as atividades criminosas e estabelecendo uma estrutura empresarializada para o crime organizado.
Defesa contesta narrativa de periculosidade
O advogado Ricardo Braga, que representa Adilsinho, divulgou nota afirmando que a prisão ocorreu "dentro da mais absoluta tranquilidade" e que as imagens do momento da captura "desconstroem a narrativa de periculosidade atribuída ao empresário". A defesa reafirmou que seu cliente confia na Justiça e demonstrará sua inocência quanto a todos os fatos que lhe são imputados.
A reportagem não conseguiu contato com a defesa do policial militar Diego D'arribada Rebello de Lima, também envolvido nas investigações.



