Justiça do DF identifica padrão de violência em conduta de ex-piloto Pedro Turra
A Justiça do Distrito Federal, ao receber a denúncia por homicídio contra Pedro Arthur Turra Basso, destacou a existência de indícios de um padrão de comportamento violento por parte do ex-piloto. A afirmação foi baseada em outras ocorrências policiais que envolvem Turra, conforme documentos acessados pelo g1.
Denúncias detalham episódios de agressão e perigo
Duas ocorrências registradas na 38ª Delegacia de Polícia por uma ex-amiga do acusado, que tinha 17 anos na época dos fatos, trazem à tona situações graves. A jovem alega ter sido obrigada a ingerir bebida alcoólica, com um vídeo que mostra Turra tentando dar vodka a ela durante uma festa no Jóquei Clube de Brasília em junho do ano passado.
Em um dos boletins, registrado como perigo para a vida e omissão de socorro, a vítima descreve um empurrão durante um passeio de lancha no Lago Paranoá, em setembro de 2025. Segundo seu depoimento, Turra a empurrou na água, e a embarcação não tinha escada para facilitar seu retorno. Ela relatou que pediu ajuda, mas o ex-piloto e um amigo apenas riam da situação, forçando-a a nadar até um deck, onde sofreu arranhões nas pernas.
Choques com taser e tortura em episódio no Park Way
A outra ocorrência, registrada como crime de tortura, ocorreu no Park Way. A jovem afirmou que, dentro de um carro com portas trancadas, Turra pegou uma arma de choque elétrico (taser) e, contra sua vontade, aplicou descargas em seus seios, barriga e pernas por cerca de 10 minutos. O aparelho só parou quando descarregou completamente.
Após o episódio, a vítima foi encaminhada ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito, relatando dores pelo corpo e abalo emocional. O delegado Pablo Aguiar, da 38ª DP, confirmou que a jovem só denunciou o fato após a repercussão do caso principal, destacando que ela era amiga pessoal de Turra e de sua companheira.
Contexto do caso e situação atual do acusado
Pedro Turra está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP), no Complexo Penitenciário da Papuda, desde 2 de fevereiro, após agredir Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em Vicente Pires. O adolescente faleceu após 16 dias internado em estado gravíssimo. O Tribunal de Justiça do DF negou o pedido de habeas corpus do ex-piloto.
Essas novas denúncias reforçam as alegações da Justiça sobre um comportamento violento recorrente, ampliando o escopo das investigações e levantando questões sobre a segurança e a responsabilidade em casos envolvendo menores e agressões físicas.