USP demite professor acusado de assédio sexual após processo administrativo
USP demite professor acusado de assédio sexual

USP oficializa demissão de professor acusado de assédio sexual após sindicância interna

A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) tornou pública nesta quarta-feira, 11 de dezembro, a demissão do professor Alysson Mascaro, docente da Faculdade de Direito que estava afastado de suas funções desde dezembro de 2024. A medida foi publicada no Diário Oficial do estado de São Paulo, confirmando a decisão tomada pela própria faculdade no final do ano passado.

Processo administrativo e denúncias de estudantes

O caso ganhou notoriedade após denúncias de dez alunos e ex-alunos, que relataram episódios de assédio sexual e moral supostamente ocorridos entre 2006 e 2024. A sindicância preliminar, iniciada em dezembro de 2024 e concluída em 9 de janeiro de 2025, ouviu depoimentos de estudantes do sexo masculino que acusaram Mascaro de assédio sexual, além de três mulheres, sendo uma testemunha e duas possíveis vítimas de assédio moral.

Segundo o despacho do reitor, o professor tem o direito de recorrer da decisão em um prazo de trinta dias. A defesa de Mascaro foi procurada pelo g1, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Em comunicações anteriores, os advogados do docente afirmaram que o Processo Administrativo Disciplinar foi marcado por violações graves e estruturais.

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Relatos detalhados e padrão de comportamento

Os estudantes que apresentaram denúncias descreveram um padrão de comportamento similar por parte do professor. Inicialmente, Mascaro prometia orientação acadêmica e indicações profissionais na área jurídica, destacando suas conexões influentes no meio. Posteriormente, segundo os relatos, o docente fazia convites para que os alunos visitassem sua residência na região central de São Paulo, local onde a maioria dos episódios de assédio teria ocorrido.

Os depoimentos incluem relatos de mensagens íntimas, abraços desconfortáveis e tentativas de beijos. Um ex-aluno afirmou ao g1: "Quando recebi a notícia através dos jornais de outras acusações contra o assediador, tive a infeliz surpresa de que ele havia, além de mim, abusado de muitas outras pessoas, que seu modus operandi era praticamente idêntico".

Reações da comunidade acadêmica e andamento policial

Vinícius Alvarenga, ex-aluno da Faculdade de Direito da USP e representante discente da pós-graduação, que articulou o grupo que assinou o pedido de investigação interna, comentou a demissão: "Um alívio que tudo se encaminhou bem". Outro estudante que denunciou o caso celebrou a medida: "A Justiça está sendo feita. Agora, a luta vai ser no penal, já que tem um inquérito policial correndo".

Paralelamente ao processo administrativo na USP, um inquérito policial foi aberto a pedido do Ministério Público de São Paulo em junho de 2025, sob responsabilidade da 1ª Delegacia Seccional de Polícia. Em dezembro, a defesa de Mascaro informou que ele ainda não havia sido convocado para prestar esclarecimentos às autoridades policiais.

Perfil do professor e contexto acadêmico

Alysson Mascaro era professor associado da Faculdade de Direito da USP e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito. Graduado e doutor pela mesma instituição, ele era conhecido por publicações na área jurídica, como "Crise e Golpe", "Estado e Forma Política", "Filosofia do Direito" e "Introdução ao Estudo do Direito", sendo frequentemente convidado para palestras sobre esses trabalhos.

Nas redes sociais, Mascaro acumulava mais de cem mil seguidores, com publicações geralmente focadas em vídeos de palestras, entrevistas e comentários sobre assuntos jurídicos, sem conteúdo relacionado à vida pessoal. A USP, ao afastar temporariamente o professor em 2024, afirmou haver "fortes indícios de materialidade dos fatos", o que culminou na demissão agora oficializada.

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