Policiais lamentam atitude de tenente-coronel em tomar banho durante ocorrência de morte
Novas imagens do caso da morte da policial militar Gisele Alves, em São Paulo, revelam as reações do tenente-coronel Geraldo Neto após a chegada da polícia ao apartamento. Um mês após o crime, ele se tornou réu por feminicídio e fraude processual, com câmeras corporais registrando o momento em que insistiu em tomar banho e foi questionado pelos policiais.
Diálogo revelador durante a ocorrência
As gravações mostram um diálogo tenso entre os policiais e o tenente-coronel. "O senhor não saiu do banho agora? Você falou que estava tomando banho", questionou um policial. Neto respondeu: "Irmão, eu estava aqui tomando banho, daí eu escutei o barulho, eu abri a porta e vi a minha esposa. Eu peguei essa bermuda que estava aqui em cima, vesti a cueca e bermuda. Eu não cheguei a tomar banho, nem fiz a barba ainda, a barba eu faço durante o banho, fazia um minuto que eu estava embaixo do chuveiro".
Os policiais alertaram sobre a burocracia da PM e a necessidade de agilizar o processo, mas Neto, com 34 anos de serviço, manteve sua posição: "Eu tenho 34 anos de serviço, eu sei o que eu estou falando. Então, eu vou tomar banho, irmão". Quando sugeriram que apenas colocasse uma camiseta e um short rapidamente, ele foi enfático: "Não, eu não vou, não. Eu não estou bem para ir assim. Eu vou tomar banho".
Preocupação com eliminação de vestígios
Os PMs presentes expressaram preocupação de que, ao tomar banho, ele poderia eliminar evidências importantes. "Vai lavar a mão, cara. Ele está com cinto, está com tudo ali, né? Dentro do banheiro", comentaram entre si. A perícia posteriormente confirmou essas suspeitas, encontrando sangue no box onde Geraldo tomou banho, além de vestígios em uma toalha e na bermuda que ele usava.
Detalhes da investigação e prisão
A policial militar Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava, no Brás, região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Enquanto paramédicos tentavam socorrê-la, o tenente-coronel passou grande parte do tempo ao telefone e apresentou aos policiais a versão de que estaria tomando banho quando ouviu o barulho do tiro.
Segundo sua narrativa, ao sair do banheiro, encontrou a esposa caída no chão da sala, com um disparo na cabeça, supostamente causado por um tiro disparado com a arma dele, que estaria guardada sobre o guarda-roupa. No entanto, a análise pericial contradiz essa versão.
Conclusões da perícia contradizem versão do acusado
Com base na análise do local, nos vestígios encontrados e na trajetória do tiro, os peritos afirmam que o disparo não foi compatível com suicídio. A conclusão é de que Gisele foi segurada por trás e baleada do lado direito da cabeça, próximo à porta da varanda do apartamento.
Geraldo Neto foi denunciado pelo Ministério Público e se tornou réu por feminicídio e fraude processual. A acusação sustenta que, além de matar a esposa, ele teria manipulado a cena do crime para simular um suicídio. Em depoimento, o tenente-coronel manteve a versão de que Gisele tirou a própria vida.
Histórico de violência doméstica e novos desdobramentos
A investigação também identificou indícios de um histórico de violência doméstica, incluindo:
- Violência psicológica
- Violência moral
- Violência financeira
Mensagens obtidas pela Polícia Civil mostram que era Gisele quem manifestava o desejo de se separar, contrariando a versão apresentada pelo marido de que pretendia encerrar o relacionamento.
O caso ganhou ainda novos desdobramentos com denúncias de assédio sexual e moral feitas por outras policiais militares contra o tenente-coronel, que agora também são apuradas pela Corregedoria da PM.
Família busca justiça
Para a família de Gisele, as conclusões da perícia e o avanço das investigações representam um passo importante. "É um sentimento que ameniza um pouco a dor. Claro, não sana dor, mas é gratificante para a família que está público e notório que ele que cometeu o feminicídio em desfavor da Gisele", afirmou o advogado dos parentes da vítima.
As imagens das câmeras corporais, que mostram a insistência do tenente-coronel em tomar banho durante a ocorrência, tornaram-se elementos cruciais na investigação, reforçando as suspeitas sobre sua conduta após o crime.



