Suspeito de homicídio em festa de carnaval se entrega à polícia no Rio
Na madrugada desta quinta-feira (19), Carlos Alberto Ribeiro Junior se apresentou espontaneamente na 30ª DP (Marechal Hermes), acompanhado de seu advogado, assumindo a autoria dos disparos que resultaram na morte de José Ailton de Sales Junior, de 32 anos. O crime ocorreu durante uma festa de carnaval realizada na Rua Marcos de Macedo, no bairro de Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro, evento que, segundo relatos de moradores, era organizado pelos vereadores Fábio Silva e Marcos Dias, ambos filiados ao Podemos.
Detalhes do crime e versão das testemunhas
De acordo com testemunhas ouvidas pela reportagem, a vítima, José Ailton, não participava da festividade. Ele havia saído de casa para comprar cigarros para a esposa quando foi abordado por seguranças do evento. "O menino subiu na moto pra ir comprar um cigarro pra esposa. E os seguranças da festinha de rua simplesmente mandaram ele descer da moto, desacelerar. Ele desceu da moto dizendo que era morador, apontaram a arma pra ele. Já começaram a desferir socos nele. Ele saiu se defendendo e atiraram no menino", relatou Ava Joy, amiga de José.
O evento, intitulado "Carnaval na Marcos de Macedo", começou no sábado (14) e, segundo relatos, já apresentava sinais de tensão nos dias anteriores, com homens armados circulando pela área. A confusão que culminou no homicídio ocorreu após José Ailton ser agredido fisicamente pelos seguranças, momento em que, em legítima defesa, ele reagiu, sendo então atingido por dois tiros disparados por Carlos Alberto Ribeiro Junior.
Posicionamento dos vereadores organizadores
O vereador Fábio Silva, que aparece em diversas imagens de redes sociais comandando o palco do evento, afirmou que "tomou conhecimento do fato por meio da imprensa" e que "o episódio ocorreu horas após o encerramento oficial do evento carnavalesco". Em nota, o político declarou lamentar profundamente o ocorrido, solidarizar-se com familiares e amigos da vítima e acompanhar a apuração dos fatos pelas autoridades competentes.
Já o vereador Marcos Dias também informou que só tomou conhecimento do caso pela imprensa, recebendo informações de que o episódio aconteceu duas horas depois do término da festa. Ele afirmou acompanhar os desdobramentos do caso e permanecer atento à apuração dos fatos.
Andamento das investigações
Após se entregar, Carlos Alberto Ribeiro Junior foi encaminhado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), responsável pela investigação do caso. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do suspeito para obter mais detalhes sobre sua versão dos fatos.
Moradores da região relataram que a presença de seguranças armados era uma constante durante os dias de festa, levantando preocupações sobre a segurança do evento. A vítima, José Ailton de Sales Junior, era morador do local e, segundo parentes, não tinha envolvimento com a festa, sendo surpreendido pela violência durante uma simples saída de casa.
As autoridades policiais seguem investigando as circunstâncias exatas do crime, incluindo o papel dos seguranças e a possível responsabilidade dos organizadores do evento. O caso chama a atenção para a violência durante as festividades de carnaval e a necessidade de maior controle em eventos públicos.



