Suspeito de matar freira no Paraná havia sido solto da prisão dois meses antes do crime brutal
O homem preso pelo assassinato da freira Nadia Gavanski, de 82 anos, encontrada morta dentro do convento Irmãs Servas de Maria Imaculada em Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná, havia saído da prisão apenas dois meses antes de cometer o crime hediondo. Segundo a Polícia Civil do Paraná (PC-PR), o indivíduo foi detido por furto qualificado no dia 28 de dezembro de 2025 e, em um intervalo de apenas 48 horas, foi colocado em liberdade provisória, retornando às ruas.
Histórico criminal extenso e liberação recente
O delegado Hugo Fonseca, responsável pelo caso, revelou que o investigado possui um extenso histórico de passagens pela polícia desde 2024, envolvendo crimes graves como roubo, furto e violência doméstica. As autoridades optaram por não divulgar o nome do suspeito, mantendo-o sob sigilo durante as investigações. A rápida liberação do homem, após uma detenção por furto qualificado, levanta questões sobre o sistema de justiça criminal e sua eficácia na proteção da sociedade.
Detalhes chocantes do crime no convento
O crime ocorreu por volta das 13h30 do sábado, dia 21, quando o homem invadiu o convento saltando o muro da propriedade. Segundo as investigações, ele foi questionado pela freira sobre sua presença no local e respondeu que estava ali para trabalhar. Percebendo a desconfiança da vítima, o suspeito partiu para o ataque violento. Em seu depoimento, ele admitiu que, após empurrar a religiosa, a asfixiou porque ela começou a gritar por ajuda.
As investigações da PC-PR apontaram que a freira também foi vítima de estupro qualificado. O laudo pericial confirmou que, além da morte por asfixia, houve violência sexual, evidenciada pela gravidade das lesões constatadas no corpo da idosa. O inquérito policial foi concluído na sexta-feira, dia 27, e já foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) para as próximas etapas processuais.
Indiciamento por múltiplos crimes graves
O homem foi formalmente indiciado pela prática dos crimes de homicídio qualificado, estupro qualificado, resistência à prisão e violação de domicílio qualificada. O delegado Hugo Santos Fonseca destacou que as provas colhidas são robustas e incluem imagens de câmeras de segurança e vestígios de sangue nas roupas do investigado, confirmando de forma incontestável a autoria dos delitos. As evidências técnicas refutaram qualquer tentativa de minimizar a natureza sexual dos atos cometidos contra a religiosa.
Depoimento perturbador e tentativa de fuga
Durante o interrogatório, o suspeito apresentou uma versão perturbadora, alegando que havia passado a madrugada usando drogas e álcool e que ouviu vozes ordenando que matasse alguém. Ele também relatou à polícia que entrou no convento com a intenção premeditada de cometer um assassinato, mas negou que pretendesse furtar bens do local. Após o crime, disse que se afastou do corpo ao perceber que a vítima estava desacordada.
O homem foi localizado em sua residência após o crime. Ao perceber a chegada da equipe policial, ele tentou fugir e agrediu os agentes, mas foi rapidamente contido e preso. Durante a abordagem, o investigado admitiu que pulou o muro do convento e atacou a freira, corroborando as evidências já coletadas pelas autoridades.
Testemunha crucial e identificação rápida
Uma fotógrafa que registrava um evento no convento foi abordada pelo suspeito logo após a morte da freira. Ela relatou à polícia que ele apresentava nervosismo evidente, estava com as roupas sujas de sangue e tinha arranhões visíveis no pescoço. O homem disse à fotógrafa que estava trabalhando no local e que encontrou a freira caída, mas a testemunha, que frequenta o local há nove anos, desconfiou imediatamente da versão.
Com discrição, a mulher filmou a interação e pediu ajuda de outras pessoas para acionar a ambulância e a Polícia Militar. Nesse intervalo, o suspeito fugiu do local, mas a filmagem feita pela testemunha foi fundamental para sua identificação posterior. O delegado Hugo Fonseca enfatizou que a contribuição dela foi importantíssima, pois em crimes de homicídio muitas vezes as autoridades encontram o corpo mas não têm elementos imediatos para identificar a autoria.
Vítima dedicou 55 anos à vida religiosa
Nadia Gavanski tinha 82 anos e vivia no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada. Ela ingressou na congregação em 1971, aos 27 anos, dedicando impressionantes 55 anos à vida religiosa. Segundo a freira Deonisia Diadio, a irmã era "humilde, confiante e profundamente mariana" - referindo-se à sua devoção à Virgem Maria. Após sofrer um AVC, irmã Nadia desenvolveu dificuldades na fala, mas seguia ativa na rotina do convento. No momento do crime, a freira estava indo alimentar as galinhas, como fazia rotineiramente, demonstrando sua dedicação contínua aos afazeres da comunidade religiosa.
