Operação Última Ceia prende sargento da PM e empresário por crimes financeiros
Um sargento da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e um empresário foram presos em flagrante nesta sexta-feira, dia 20, suspeitos de cometer os crimes de extorsão, usura (conhecida popularmente como agiotagem) e associação criminosa. Os nomes dos detidos não foram divulgados pelas autoridades policiais. A ação, denominada Operação Última Ceia, mobilizou aproximadamente setenta policiais civis em diferentes pontos da região metropolitana de Natal.
Ligação com a Operação Amicis de 2025
De acordo com informações da Polícia Civil, o empresário preso era um dos investigados na ampla Operação Amicis, realizada em 2025, que resultou no bloqueio de mais de cento e cinquenta milhões de reais pertencentes aos envolvidos. Após ter seus bens apreendidos, o empresário teria iniciado uma campanha de ameaças e coerção contra outras pessoas, incluindo outros denunciados na mesma operação, na tentativa de reduzir seu próprio prejuízo financeiro.
As prisões ocorreram em duas localidades distintas: no município de São José de Mipibu, situado na Região Metropolitana de Natal, e no bairro Lagoa Nova, localizado na Zona Sul da capital potiguar. Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão, além dos dois mandados de prisão que resultaram na detenção dos suspeitos.
Esquema de cobrança violenta e intimidação sistemática
As investigações conduzidas pela Polícia Civil indicam que o grupo criminoso atuava na cobrança violenta de dívidas originadas de empréstimos informais. Segundo os investigadores, os criminosos não se limitavam a exigir o pagamento dos valores supostamente devidos e de juros abusivos, mas também impunham às vítimas a obrigação de quitar quantias adicionais relacionadas a alegados prejuízos financeiros decorrentes da Operação Amicis.
O inquérito policial revelou que a atuação do grupo evoluiu para um cenário de terror psicológico contínuo, com práticas reiteradas de intimidação. As vítimas, algumas delas também investigadas na Operação Amicis, passaram a ser monitoradas em sua rotina diária, incluindo o levantamento de informações sobre horários e deslocamentos de crianças e adolescentes, o que configurou grave violação à segurança familiar.
Foram registrados episódios de vigilância constante nas residências e condomínios das vítimas, com rondas frequentes e monitoramento nas proximidades. Em uma situação específica, um bilhete ameaçador foi deixado no sapato de uma das vítimas, reforçando o contexto de perseguição e intimidação sistemática. Durante o cumprimento de um dos mandados judiciais, a polícia encontrou um dos investigados, que se autointitulava como escolhido de Jesus, sentado à mesa do café da manhã na residência de uma vítima, sem qualquer autorização, evidenciando a imposição de terror psicológico.
Valores e veículos apreendidos durante as buscas
Em dois endereços vinculados ao empresário, localizados no bairro Lagoa Nova, foram apreendidos valores significativos em moeda nacional e estrangeira, incluindo aproximadamente:
- 7.535 dólares norte-americanos
- 700 euros
- R$ 12.700 em espécie
O montante total apreendido soma cerca de R$ 55,7 mil. Além do dinheiro, foram apreendidos cinco veículos durante a operação. Todo o material coletado será analisado no curso das investigações, com o objetivo de aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do grupo criminoso.
Histórico criminal do sargento da Polícia Militar
Um dos investigados é sargento da Polícia Militar do Rio Grande do Norte e possui histórico de envolvimento em outros crimes. Segundo a Polícia Civil, ele já havia sido preso durante uma operação realizada em maio de 2024, sob suspeita de participação em grupo de extermínio e homicídios. Além disso, o militar possui registro anterior de prisão pelo crime de peculato, em razão da subtração de arma de fogo pertencente à corporação.
Na ação realizada nesta sexta-feira, o sargento foi autuado em flagrante, desta vez pelo crime de posse ilegal de arma de fogo. A Operação Amicis, que deu origem a essas investigações, desarticulou um esquema milionário envolvendo empresários, influenciadores e contadores, cumprindo cinquenta e três mandados de busca e apreensão em Natal e cidades da Região Metropolitana. O Ministério Público denunciou, no início de março, dezesseis pessoas por fraude nesse esquema.



