Rebelião em presídio de Sorriso (MT) mobiliza 20 PMs e expõe superlotação de 144%
Rebelião em presídio de MT mobiliza 20 PMs e expõe superlotação

Rebelião em presídio de Sorriso mobiliza reforço policial e expõe crise carcerária

Uma rebelião de detentos ocorrida na noite desta terça-feira (24) no Centro de Ressocialização de Sorriso, localizado a 398 quilômetros de Cuiabá, mobilizou aproximadamente 20 policiais militares para conter a situação, conforme informações do tenente Jorge Luiz de Almeida. O motim, cujas causas ainda serão investigadas pelas autoridades, resultou em um detento com ferimentos leves, que recusou atendimento médico imediato.

Chamado de emergência e histórico de problemas estruturais

Os agentes da Polícia Militar foram acionados por volta das 18h47 para prestar apoio aos policiais penais que atuam na unidade prisional. Este incidente ocorre em um contexto de grave crise carcerária já identificada pela Justiça. Em novembro de 2023, o presídio foi interditado judicialmente devido ao risco iminente de rebeliões, conforme decisão de um magistrado que destacou violações a princípios constitucionais fundamentais.

O juiz responsável pela interdição afirmou que as condições do local ferem a dignidade da pessoa humana e configuram tratamentos desumanos ou degradantes, ordenando a transferência de presos excedentes para outras unidades com infraestrutura adequada. A determinação estabeleceu que o presídio deve operar com um limite máximo de 227 detentos para garantir condições mínimas de habitabilidade.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Superlotação extrema e relatos de condições insalubres

No entanto, a realidade atual do Centro de Ressocialização de Sorriso contrasta drasticamente com as determinações judiciais. Dados do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) revelam uma situação alarmante:

  • A unidade possui apenas 166 vagas disponíveis.
  • Atualmente, abriga 378 detentos, resultando em uma superlotação de 144,14%.

Um trecho do relatório do GMF descreve cenários preocupantes: "Em tais condições, os privados de liberdade daquela unidade se amontoam um sobre os outros, não conseguindo sequer movimentar as pernas, como reclamaram alguns". Esta descrição ilustra o colapso estrutural que predomina no sistema prisional da região, agravando tensões e aumentando os riscos de novos conflitos.

Consequências imediatas e perspectivas futuras

Após a chegada do reforço policial, os detentos envolvidos na rebelião foram contidos, restaurando a ordem momentânea no presídio. Entretanto, especialistas alertam que, sem a implementação efetiva das medidas judiciais – especialmente a redução da população carcerária e melhorias na infraestrutura –, episódios semelhantes podem se repetir, colocando em risco a segurança de agentes penitenciários, policiais e dos próprios presos.

A superlotação crônica, combinada com a falta de recursos e condições degradantes, continua a ser um desafio central para as autoridades locais e estaduais, exigindo ações urgentes para evitar novas crises no sistema carcerário de Mato Grosso.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar