Justiça do Acre encaminha quatro acusados de chacina no Taquari para júri popular
A Justiça do Acre pronunciou a júri popular quatro dos seis indivíduos envolvidos em uma chacina ocorrida no bairro Taquari, em Rio Branco, em novembro de 2023. O juiz Fábio Alexandre Costa de Farias entendeu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para que os réus sejam submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Detalhes do crime e vítimas
Na noite de 3 de novembro de 2023, cinco pessoas foram brutalmente assassinadas em uma residência localizada na Rua Morada do Sol, no bairro Taquari. As vítimas identificadas são:
- Valdei das Graças Batista dos Santos
- Adegilson Ferreira da Silva
- Luan dos Santos de Oliveira
- Sebastião Ytalo Nascimento de Carvalho
- Tailan Dias da Silva
Conforme informações da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), os assassinatos foram motivados por uma guerra de facções criminosas que disputam território na capital acreana. Além disso, uma das vítimas era parente de um dos presos mortos durante a rebelião ocorrida no presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro em julho de 2023.
Réus pronunciados e acusações
Os quatro réus que foram pronunciados para júri popular são:
- Davidesson da Silva Oliveira, conhecido como "Escopetinha"
- Denilson Araújo da Silva, apelidado de "Jabá"
- Tony da Costa Matos, vulgo "Tony Barroca"
- José Weverton Nascimento da Rosa, chamado de "Raridade"
De acordo com a decisão judicial, Davidesson da Silva Oliveira foi pronunciado por dois homicídios qualificados com motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de participação em organização criminosa. Os outros três réus – Denilson Araújo da Silva, Tony da Costa Matos e José Weverton Nascimento da Rosa – foram pronunciados por seis homicídios qualificados cada um, também somados à participação em organização criminosa.
Recursos e situação processual
Com a pronúncia, a Justiça estabeleceu um prazo para que a defesa dos acusados e o Ministério Público do Acre (MP-AC) se manifestem. O advogado Thalles Damasceno, que defende José Weverton Nascimento da Rosa e Davidesson da Silva Oliveira, confirmou que já ingressou com recurso contra a pronúncia dos seus clientes e pretende solicitar a soltura dos mesmos.
Damasceno argumentou que José Weverton foi atingido por uma bala de origem desconhecida próximo ao local do crime, quando se dirigia à casa da ex-namorada, e que seu cliente estava realizando contenção no momento. "Estou entrando com um habeas corpus para revogar essa prisão dele", afirmou o defensor.
Os outros dois acusados, Denilson Araújo da Silva e Tony da Costa Matos, são representados pela Defensoria Pública do Estado (DPE-AC), que não costuma comentar processos em andamento.
Outros envolvidos e mandante
Dois outros indivíduos tiveram seus processos desmembrados:
- Wellington Costa Batista, conhecido como "Nego Bala", apontado como mandante da chacina, teve recurso negado em dezembro do ano passado. A Câmara Criminal de Rio Branco decidiu, de forma unânime, pela pronúncia para julgamento pelo Tribunal do Júri. O processo indica que Wellington exercia posição hierárquica de destaque dentro da facção criminosa Comando Vermelho e que o contato com os comparsas era feito através de aplicativo de mensagens.
- Ronivaldo da Silva Gomes, vulgo "Roni", está foragido e teve seu nome incluído na lista vermelha dos criminosos mais procurados do Brasil, mantida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Sua prisão preventiva foi decretada em novembro de 2025, e ele acumula condenações por roubo que ultrapassam 30 anos.
Contexto investigativo
A polícia foi acionada através do Centro de Operações Policiais Militares (Copom) na noite do crime. Ao chegarem ao local, os agentes encontraram um jovem de 18 anos sendo atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após ser atingido por tiros, mas testemunhas se recusaram a prestar depoimentos.
Em janeiro de 2024, mais de dois meses após a chacina, a Justiça do Acre aceitou a denúncia contra os seis suspeitos apontados como responsáveis pela ação. Pouco mais de 11 meses após o crime, quatro acusados foram ouvidos durante audiência de instrução em janeiro do ano passado.
A decisão judicial que pronunciou os quatro réus para júri popular representa um passo significativo no processo de responsabilização pelos graves crimes ocorridos no bairro Taquari, que chocaram a comunidade local e evidenciaram os conflitos entre facções criminosas na capital acreana.



