Protesto no RS denuncia 'ranking sexual' de estudantes e casos de assédio em instituto federal
Protesto no RS contra 'ranking sexual' de estudantes em instituto

Protesto massivo em Pelotas repudia 'ranking sexual' criado por estudantes do IFSul

Centenas de pessoas se reuniram em frente ao campus de Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), na tarde desta quarta-feira (25), em um protesto contundente contra casos de assédio e violência contra mulheres dentro da instituição. A mobilização, convocada por estudantes, ganhou apoio maciço de professores, familiares e integrantes da comunidade acadêmica, tomando a área em frente ao campus com cartazes e faixas que exigiam medidas mais firmes.

Investigação policial e afastamento dos envolvidos

A Polícia Civil investiga oito alunos do IFSul, com idades entre 15 e 16 anos, pela criação e compartilhamento de uma lista com conteúdo de cunho sexual sobre colegas. Os estudantes foram imediatamente afastados pela instituição. Até esta quarta-feira, seis vítimas já haviam registrado boletim de ocorrência.

A polícia trata o caso como ato infracional análogo aos crimes de cyberbullying, uso indevido de imagem e crimes contra a honra. O material continha imagens não autorizadas, classificações ofensivas e comentários pejorativos, citando 29 meninas e um menino.

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Indignação e relatos das vítimas

O conteúdo da lista gerou profunda indignação entre as estudantes. Segundo as organizadoras da manifestação, a divulgação escancarou problemas recorrentes enfrentados por mulheres no ambiente escolar. Uma das estudantes expostas na lista relatou surpresa e insegurança:

"Me senti bem mal. Me senti um pouco assustada também, porque a gente não espera que isso aconteça. A gente tem medo de encontrar no corredor. Tem medo do deboche, tem medo de como vão olhar para nós", disse a jovem, que prefere não se identificar.

Uma mãe de aluna ouvida pela RBS TV expressou preocupação: "Eu vou ter que estar junto com a minha filha, ver como ela está se sentindo com relação a isso e as colegas dela também".

Resposta institucional e ações do Ministério Público

Em nota, o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense manifestou "seu mais veemente repúdio a qualquer forma de assédio, seja virtual ou presencial". A reitoria informou que os oito alunos foram suspensos e que o caso está sendo tratado como assédio.

As alunas citadas na lista devem receber atendimento com psicólogos e assistentes sociais nos próximos dias. A instituição também declarou que está preparando ações pedagógicas de conscientização sobre o problema para todos os estudantes.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) já abriu expediente administrativo para apurar o episódio. A Promotoria da Infância e Juventude de Pelotas reuniu-se com a direção do IFSul e, nos próximos dias, realizará um encontro com as famílias das alunas vítimas para oferecer apoio, acolhimento e orientações.

Próximos passos da investigação

Os próximos passos da investigação incluem ouvir mais possíveis vítimas e testemunhas para, ao final, interrogar os adolescentes na presença dos responsáveis. Se indiciados, o caso segue à Promotoria de Atos Infracionais, do Ministério Público.

"Eles poderão receber uma medida socioeducativa", pontua a titular da Delegacia da Criança e do Adolescente, delegada Lisiane Matarredona.

O IFSul aguarda orientação das autoridades sobre como proceder, estando prevista uma reunião com a Promotoria da Infância e Juventude e orientações com a Delegacia da Mulher, da Polícia Civil.

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