Professor da UFG é demitido após denúncias de assédio sexual envolvendo sugestão de motel
Um professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi demitido após um processo administrativo que apurou denúncias de assédio sexual feitas por estudantes. Victor Rezende Moreira Couto, que atuava na Escola de Veterinária e Zootecnia (EVZ), teria sugerido a uma ex-aluna que fossem juntos a um motel durante o retorno de uma atividade em uma fazenda escola.
Relato detalhado da vítima
"No meio do caminho ele sugeriu que a gente fosse pra um motel que tinha na estrada. Aquilo me assustou muito", afirmou a vítima, que preferiu não se identificar, em entrevista à TV Anhanguera. A ex-aluna relatou que os episódios ocorreram em 2017, quando começou a perceber comportamentos inadequados do professor, que era do comitê de orientação.
Segundo seu depoimento, o docente pegava no cabelo e no braço das estudantes e tentava ficar sozinho com ela. Após a recusa da sugestão do motel, o professor teria continuado insistindo. "Eu falei não, não, você é casado. Você tem filha. Eu sou casada [...] Ele continuou mandando mensagem e tudo. Tive vários problemas pessoais por causa disso. Acabou também culminando no meu divórcio", relembrou a denunciante.
Processo administrativo e decisão do MEC
No dia 26 de fevereiro, foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) uma decisão do Ministério da Educação (MEC), assinada pelo ministro Camilo Santana, que determinou a demissão do professor. De acordo com o documento, o servidor foi declarado culpado por infringir dispositivos da Lei nº 8.112, incluindo:
- Violar o dever funcional de manter conduta compatível com a moralidade administrativa
- Valer-se do cargo para lograr proveito pessoal em detrimento da dignidade da função pública
- Praticar incontinência pública e conduta escandalosa na repartição
Em nota, a UFG informou que ainda não foi notificada oficialmente pelo MEC sobre a decisão de demitir o servidor e que poderá se manifestar após a devolução formal do processo.
Outras denúncias e atuação da defesa
Em 2023, a ex-aluna teria sido procurada por outras cinco estudantes que relataram situações semelhantes envolvendo o professor. A advogada Patricia Zapponi, que atua na defesa de mulheres e representou as seis estudantes no processo administrativo, contou que o docente usava sua posição na universidade para obter vantagens de cunho sexual.
"Ele dizia que, se as meninas não ficassem com ele, elas não iam ter oportunidade de trabalho, que era um meio masculino e que ele era um homem muito influente", afirmou a advogada em entrevista à TV Anhanguera.
Perfil profissional do docente
De acordo com dados do Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA), Victor Rezende Moreira Couto era professor de Produção de Bovinos de Corte e atuava como coordenador da disciplina para os cursos de zootecnia, agronomia e veterinária. Além disso, ele orientava alunos no Programa de Pós-graduação em Zootecnia (PPGZ), com foco em nutrição de bovinos de corte em pastejo.
O docente coordenou o Centro de Pesquisa em Pecuária Extensiva (CEPPEX) e foi responsável pelo Laboratório de Nutrição Animal do Departamento de Zootecnia da EVZ.
Investigação criminal em andamento
As denúncias contra o professor continuam sendo investigadas na esfera criminal pela Polícia Civil. O g1 entrou em contato com a corporação para saber sobre o andamento da investigação, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
A situação evidencia a importância dos canais de denúncia e dos processos disciplinares nas instituições de ensino superior para combater casos de assédio e abuso de poder.



