Prisão após 20 anos: homem é preso por assassinato de menina de 9 anos no Paraná
Prisão após 20 anos por assassinato de menina no Paraná

Prisão após duas décadas: homem é capturado por homicídio de criança no Paraná

Após quase vinte anos de impunidade, a Polícia Civil do Paraná (PC-PR) efetuou a prisão preventiva de Martônio Alves Batista, de 55 anos, suspeito de ser o autor do assassinato da menina Giovanna dos Reis Costa, ocorrido em 2006. A captura aconteceu na cidade de Londrina, no norte do estado, marcando um desfecho dramático para um caso que permaneceu arquivado por anos e que estava próximo de prescrever.

Detalhes do crime e a longa investigação

Giovanna, que tinha apenas nove anos de idade, desapareceu no dia 10 de abril de 2006 enquanto vendia rifas escolares nas proximidades de sua residência, em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado em um terreno baldio, envolto em sacos plásticos e amarrado com fios elétricos, apresentando sinais extremos de violência sexual, conforme relato policial. A perícia constatou que a morte foi causada por asfixia mecânica.

Na época, Martônio, que era vizinho da vítima, chegou a ser considerado suspeito. Durante as buscas em sua casa, os agentes encontraram um colchão com mancha de urina, mas quando retornaram, o objeto havia desaparecido e o local havia sido lavado com água sanitária. Além disso, um fio de energia similar ao utilizado para amarrar o corpo da criança foi localizado no quintal da residência. Apesar dessas evidências, ele prestou depoimento e foi liberado, enquanto a investigação se voltou para três indivíduos de uma comunidade cigana que viviam nas proximidades, acusados de envolvimento em um suposto ritual satânico.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Absolvição e reabertura do caso

Em 2012, os três acusados foram absolvidos por um júri popular devido à falta de provas concretas, resultando no arquivamento do inquérito. O caso permaneceu adormecido até 2018, quando Martônio foi brevemente detido por instalar câmeras no banheiro feminino de uma pastelaria que possuía em Londrina. Esse incidente chamou a atenção de uma ex-enteada dele, que reconheceu sua imagem em reportagens e decidiu revelar que havia sido vítima de abusos sexuais durante a infância.

Em 2019, a jovem formalizou a denúncia na delegacia, relatando que sofreu abusos dos 11 aos 14 anos e que era ameaçada por Martônio. Durante as investigações, ela contou à polícia que ele a intimidava afirmando que ela seria "a próxima Giovanna". A mãe da vítima também declarou que, ao confrontar Martônio sobre possíveis abusos, ele admitiu ser o autor do crime em Quatro Barras, e não apenas uma testemunha como alegara anteriormente.

Nova fase e prisão preventiva

Com base nesses depoimentos, a delegada Camila Cecconello, responsável pela reabertura do caso, realizou diligências que resultaram na coleta de novas provas contra Martônio. O inquérito foi oficialmente desarquivado pela Justiça, e a investigação foi reaberta dois meses antes do prazo de prescrição, que ocorreria em abril de 2026, já que crimes com pena máxima superior a 12 anos prescrevem em 20 anos conforme o Código Penal.

Na quinta-feira, 19 de fevereiro, Martônio foi preso preventivamente em Londrina e deve responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. A defesa do acusado, representada pelo advogado Eduardo Caldeira, informou que está "levantando pontos técnicos" para contestar a prisão, argumentando que a lei exige fundamentos atuais e concretos para medidas preventivas. O inquérito deve ser concluído em breve e encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), e caso Martônio seja denunciado, o crime não correrá mais risco de prescrição.

Este caso ressalta a persistência das autoridades na busca por justiça, mesmo após longos períodos, e a importância de testemunhas e novas evidências para solucionar crimes graves que afetam profundamente as comunidades.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar