Operação da Corregedoria da PM prende policiais em São Paulo
Um sargento aposentado da Polícia Militar de São Paulo, preso neste mês com quase R$ 1,2 milhão em uma mala durante operação do Ministério Público estadual, alega que o valor pertencia a um empresário para o qual prestava serviços de segurança e não teria qualquer ligação com o caso de lavagem de dinheiro entre a empresa de ônibus Transwolff e o Primeiro Comando da Capital (PCC). A confirmação foi feita nesta sexta-feira (27) pela defesa do militar aposentado Nereu Aparecido Alves, que já atuou nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da corporação.
Defesa do sargento aposentado apresenta versão dos fatos
Segundo o advogado Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva, seu cliente forneceu essa explicação durante interrogatório realizado pela Corregedoria da PM. "O valor em dinheiro localizado com o sargento Nereu no dia de sua prisão não possui qualquer vínculo com a Transwolff, tampouco era de sua propriedade", afirmou a defesa em nota. "Trata-se de quantia pertencente a um empresário para o qual o policial prestava serviços há mais de um ano, fato que será devidamente demonstrado nos autos".
A defesa ressaltou ainda que Nereu é "completamente inocente da acusação" e que, após deixar a corporação em 2020, foi contratado para prestar serviço de segurança nas instalações da Transwolff. "À época da contratação, tratava-se de uma empresa formalmente constituída, que inclusive mantinha contratos com o poder público municipal", argumentou. O sargento teria se afastado do serviço apenas em 2024, sem receber qualquer comunicação oficial sobre irregularidades na empresa.
Contexto da Operação Fim da Linha
Nereu foi um dos três policiais presos em 4 de fevereiro pela Corregedoria da PM, suspeitos de envolvimento com o suposto esquema ilegal entre a Transwolff e o PCC. As prisões ocorreram no contexto da Operação Fim da Linha, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, que investiga crimes de lavagem de dinheiro, fraude em licitações públicas e organização criminosa.
De acordo com a investigação, os policiais prestaram segurança privada entre 2020 e 2024 para Luiz Carlos Efigênio Pacheco, conhecido como Pandora, dono da Transwolff, e para Cícero de Oliveira, o Té. Pandora está preso, enquanto Té responde ao processo em liberdade. Nereu foi detido pela Corregedoria da PM com R$ 1.180.000 quando estava num imóvel em Bauru, no interior paulista.
Alegações da defesa e posicionamento oficial
O advogado de Nereu argumentou ainda que "exigir que um policial aposentado tivesse conhecimento prévio de algo que estava sendo investigado de forma sigilosa pelos órgãos competentes é algo absolutamente desarrazoado". A defesa acrescentou que "não há qualquer indício de que o sargento Nereu tenha enriquecido ou obtido vantagem indevida. Ele não possui bens incompatíveis com sua renda, não tem patrimônio oculto, não possui movimentações financeiras suspeitas".
Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que "a Corregedoria da Polícia Militar esclarece que o inquérito sobre o caso está em andamento, sob segredo de Justiça". Os três policiais estão detidos temporariamente por decisão da Justiça Militar, no presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo.
Detalhes da investigação e envolvimento empresarial
A Operação Fim da Linha, desencadeada em 2024, indica que o aumento de capital da Transwolff poderia ter origem ilícita. O esquema investigado incluiria o uso de "laranjas" e "CNPJs fantasmas" para ocultar a origem dos recursos, com suspeitas de que a empresa agia para favorecer o PCC. Diante das investigações, a Prefeitura de São Paulo abriu há dois anos o processo de rescisão dos contratos com a Transwolff, embora a defesa da empresa sempre tenha negado vínculo com o crime organizado.
Segundo a Folha de S. Paulo, o empresário citado por Nereu seria Ricardo Barnabé, mas não há confirmação se ele foi ouvido pela Corregedoria da PM ou se pediu à Justiça a restituição do dinheiro. A Transwolff foi procurada para comentar o assunto, mas não retornou o contato até a última atualização desta reportagem.



