PM preso por duplo homicídio em Cariacica já responde a outros processos por mortes
PM preso por duplo homicídio já responde a outros processos

PM preso por duplo homicídio em Cariacica já responde a outros processos por mortes

O policial militar Luiz Gustavo Xavier do Vale, de 46 anos, está preso pelas mortes de Daniele Toneto, de 45 anos, e Francisca Chaguiana Dias Viana, de 31, ocorridas em 8 de abril no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, na Grande Vitória, Espírito Santo. O cabo, que atua há 18 anos na corporação, já responde a outros processos envolvendo homicídios, tiros em suspeitos e denúncias de lesão corporal grave, conforme investigações em andamento.

Motivação do crime e contexto do conflito

O crime teve origem em uma discussão entre a ex-mulher do policial e as duas vítimas, que moravam no mesmo prédio, em andares diferentes. Segundo relatos de vizinhos, as desavenças giravam em torno do uso de um ar-condicionado e da divisão da conta de energia, já que o prédio possui apenas um padrão elétrico. A ex-esposa do PM, que não quis se identificar, afirmou em entrevista que as vítimas teriam xingado e ameaçado seu filho de 8 anos, que é autista, o que teria escalado o conflito.

Ela descreveu que, após uma briga física onde foi agredida, decidiu ligar para o cabo do Vale, pedindo apoio policial. "Eu falei que não ia mais agir com as minhas mãos. Liguei para o meu ex-marido e pedi duas viaturas, porque elas estavam me agredindo e agredindo o nosso filho", contou. O policial, que estava em horário de trabalho em função administrativa em Itacibá, deslocou-se sem autorização para o local, acompanhado por outros agentes.

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Falha na conduta de colegas policiais

Seis policiais militares presenciaram o momento em que o cabo do Vale atirou contra as duas mulheres, que estavam sentadas na calçada. Os agentes não intervieram para impedir a ação, conforme imagens que mostram um deles virando de costas e outro sacando a arma sem agir. O comandante-geral da PM, coronel Ríodo Lopes Rubim, afirmou que houve falha na conduta dos demais policiais, destacando que protocolos exigem intervenção em tentativas contra a vida, mesmo por parte de um colega.

Todos os seis policiais foram afastados das atividades nas ruas e tiveram o armamento suspenso, aguardando decisão judicial para afastamento completo. A Associação das Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo (ASPRA-ES) criticou a medida, alegando que os agentes não tinham como prever a ação e agiram corretamente.

Processos e consequências legais

Após o crime, a Justiça decretou a prisão preventiva do cabo do Vale, que segue detido no Quartel do Comando-Geral, em Vitória. A Polícia Militar abriu um processo demissionário contra o militar, com prazo de 20 dias para conclusão do inquérito militar, mas sem previsão para o término do processo. O comandante-geral enfatizou que a conduta do cabo feriu a honra da instituição, que tem como missão proteger e servir a população.

O caso reacende debates sobre a responsabilidade policial e a necessidade de supervisão adequada, especialmente em situações de conflito pessoal envolvendo agentes. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do ocorrido e garantir justiça para as famílias das vítimas.

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