PM é condenado a 58 anos de prisão por mortes em show sertanejo em Piracicaba
O policial militar Leandro Henrique Pereira foi condenado a 58 anos de prisão pela morte de duas pessoas e por ferir outras três durante um show sertanejo realizado no Parque Unileste, em Piracicaba, no interior de São Paulo, em novembro de 2022. O julgamento, que começou na manhã desta quarta-feira (11) no Fórum de Piracicaba, ocorreu após sete adiamentos nos últimos anos, incluindo uma suspensão determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em março de 2025.
Vítimas e detalhes do caso
Os tiros disparados durante o evento cultural mataram Leonardo Victor Cardoso, de 25 anos, e Heloíse Magalhães Capatto, de 23 anos. Além disso, outras três pessoas, com idades entre 20 e 27 anos, ficaram feridas pelos disparos. Até o primeiro intervalo da sessão judicial, duas das vítimas feridas já haviam sido ouvidas, e outras três testemunhas prestaram depoimento até o final da tarde.
O réu, que estava detido no Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista, foi interrogado por aproximadamente uma hora e meia, com seu depoimento sendo finalizado no início da noite, quando o julgamento já somava cerca de nove horas de duração. Com o retorno da sessão, o processo entrou na fase dos debates, onde defesa e acusação tiveram uma hora e meia para apresentar seus argumentos.
Posicionamento da defesa e da família
O advogado de defesa, Renato Soares, afirmou que o policial agiu em legítima defesa e apresentou um estudo em material 3D indicando a ordem dos disparos, sustentando que eles não poderiam ter atingido as vítimas. "Vamos comprovar aos senhores jurados que Leandro agiu em legítima defesa e que os disparos que atingiram as outras vítimas, inclusive, não são provenientes dele", declarou Soares.
Por outro lado, Camila Alves Cardoso, irmã de Leonardo Cardoso, expressou sua esperança por justiça durante entrevista à EPTV. "Espero que justiça seja feita. Meu irmão não merecia ter falecido da forma como foi. Toda vez que esse julgamento reaparece, a gente revive aquele dia de novo e todos os traumas voltam", disse emocionada.
Adiamentos e complicações processuais
O caso foi marcado por diversas interrupções, incluindo uma suspensão em setembro de 2024 após uma discussão sobre gravações da sessão, quando a defesa insistiu em registrar o julgamento com aparelhos particulares, contrariando ordem judicial. Em junho de 2025, a Justiça trocou o juiz responsável pelo processo devido a alegações de suposta inimizade com o acusado e seus advogados.
O tribunal do júri, composto por cinco homens e duas mulheres, convocou 12 testemunhas para a sessão, além do interrogatório do réu. Uma das três vítimas feridas não compareceu ao julgamento, e outras seis testemunhas foram dispensadas pela defesa e pela acusação.
Contexto do incidente
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os disparos ocorreram após Leonardo Cardoso intervir em uma briga entre o PM, um amigo seu e uma terceira pessoa. Já a Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) concluiu que o motivo foi um desentendimento após um empurra-empurra durante o show. A corporação pediu a prisão preventiva do policial militar ao finalizar a investigação.
Vídeos publicados em redes sociais mostram o momento exato dos tiros, com pessoas no local identificando o som e iniciando uma correria. O PM é acusado formalmente de dois homicídios com quatro qualificadoras e por três tentativas de homicídio, com a expectativa inicial de que a sentença fosse divulgada ainda na quarta-feira, embora não estivesse definido se os trabalhos continuariam ou seriam retomados na quinta-feira (12).



