A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (14) Manoel Mendes Rodrigues, de 43 anos, conhecido como Manolo Dom, sob suspeita de espionar e ameaçar pessoas a mando do empresário Daniel Vorcaro. A prisão ocorre no âmbito da sexta fase da Operação Compliance Zero. Manoel é parceiro de negócios do bicheiro Bernardo Bello há pelo menos uma década.
Histórico de envolvimento
De acordo com o g1, a primeira vez que a polícia do Rio de Janeiro teve informações sobre Manolo Dom foi em agosto de 2012. Na ocasião, ele recebeu de Bernardo Bello a missão de assumir pontos do jogo do bicho no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade. Passados 14 anos, Manoel é apontado pela Polícia Federal como integrante de um grupo identificado como "A Turma", ligado a bicheiros, milicianos e policiais, responsável por perseguir e ameaçar pessoas.
Ligações com Bernardo Bello
Bernardo Bello, amigo de Manoel, está foragido da Justiça. O contraventor foi citado e deu entrevista no documentário "Vale o escrito - A guerra do jogo do bicho", do Globoplay. Bello presidiu a escola de samba Unidos de Vila Isabel entre 2017 e 2018, período em que se aproximou da contravenção. Segundo investigações, ele planejava se tornar um dos maiores bicheiros do Rio e, para isso, pretendia assassinar a cunhada, Shana Harrouche Garcia. Em fevereiro de 2020, o tio de Shana, Alcebíades Paes Garcia (Bid), foi assassinado, e Bello passou a ser suspeito do crime.
Atuação de Manoel Mendes
Em 2021, enquanto Bello era investigado pela morte de Bid, Manoel fundou a empresa MDom Marketing e Corretagem Ltda., de corretagem e aluguel de imóveis, localizada no Centro do Rio. Em janeiro de 2022, Bello foi preso pela Interpol na Colômbia, mas obteve habeas corpus e voltou ao Brasil. Em março de 2023, a Justiça expediu novo mandado de prisão contra ele por lavagem de dinheiro, e ele fugiu novamente.
O grupo "A Turma"
Para a Polícia Federal, Manoel integrava o grupo "A Turma", que seria responsável por ameaças presenciais, intimidações, obtenção de informações sigilosas e monitoramento de desafetos ligados a Daniel Bueno Vorcaro. A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), aponta que o grupo tem ligação com operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais. Manoel é descrito como "empresário do jogo no Estado do Rio de Janeiro e líder de um braço local do grupo".
Contatos e articulação
A investigação revela que Manoel mantinha contato frequente com outros investigados. Entre 2 e 3 de março de 2026, pouco antes da terceira fase da operação, ele trocou 58 mensagens de texto com Felipe Mourão, um dos investigados. Também foi citado em conversas com o policial federal aposentado Marilson Roseno, apontado como chefe operacional de "A Turma", e com Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, que também foi preso nesta quinta-feira em Belo Horizonte (MG).
Ação em Angra dos Reis
Um dos episódios investigados ocorreu em 4 de junho de 2024, em Angra dos Reis, na Costa Verde. Integrantes de "A Turma" foram enviados para intimidar ex-funcionários de Daniel Vorcaro. Sete homens abordaram o comandante de uma embarcação na Marina Bracuhy e fizeram ameaças. Um deles se identificou como Manoel e afirmou que "mexia com jogo do bicho". O grupo também foi a um hotel da região para intimidar um ex-chefe de cozinha. Testemunhas relataram abordagens semelhantes a outros funcionários. A ação foi precedida de levantamento de informações e monitoramento.
Decisão judicial
Na decisão que decretou a prisão preventiva de Manoel, o ministro André Mendonça afirma haver "quadro indiciário robusto" sobre a existência de dois núcleos no grupo: um voltado a intimidações presenciais e outro especializado em ataques cibernéticos e monitoramento digital ilegal. Manoel está vinculado ao primeiro núcleo, "A Turma". Ele passou a tarde na Superintendência da Polícia Federal, no Centro do Rio, e foi levado para a carceragem em Benfica. A audiência de custódia está prevista para esta sexta-feira (15).



