PF pede à Interpol prisão de policial penal suspeito de atrasar extradição de traficante
PF pede prisão de policial penal à Interpol por caso de extradição

PF solicita à Interpol prisão de policial penal envolvido em caso de extradição de traficante

A Polícia Federal encaminhou um pedido formal ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o nome do policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como Bonitão, seja incluído na Difusão Vermelha da Interpol. A medida visa facilitar sua captura internacional, uma vez que há indícios de que ele esteja fora do Brasil, possivelmente residindo nos Estados Unidos.

Operação Anomalia e suspeitas de corrupção

Luciano Pinheiro é um dos investigados na Operação Anomalia, deflagrada na segunda-feira (9), que já resultou na prisão de três pessoas: o delegado federal Fabrizio Romano, o ex-secretário de Esportes Alexandre Carracena e a advogada Patrícia Falcão. As investigações apontam que o grupo tentou interceder para adiar a extradição do traficante de drogas Gerel Lusiano Palm, cidadão de Curação condenado por homicídio na Holanda e investigado pelo DEA, a polícia antidrogas norte-americana.

Segundo interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça, o delegado Fabrizio Romano mencionou que Luciano manteve contato com o homem de Brasília e recebeu um adiantamento de R$ 15 mil, com a promessa de receber mais R$ 150 mil caso o processo de extradição fosse cancelado. A ideia era impedir a extradição e garantir asilo a Gerel Palm no Brasil.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Salários recebidos e histórico criminal

Curiosamente, apesar das suspeitas de que esteja no exterior, Luciano Pinheiro recebeu dois salários do governo do estado do Rio de Janeiro em fevereiro: um da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) no valor de R$ 2.963,99 e outro do Instituto de Assistência dos Servidores do RJ (Iaserj) de R$ 3.234,74, totalizando R$ 6.198,73. Procuradas, a Seap e o Iaserj não se pronunciaram sobre o caso.

O policial penal tem um histórico marcante: atuou como segurança de jogadores de futebol brasileiros na Rússia no início da década de 2010, foi preso em 2014 na Maré, acusado de ser informante do traficante Marcelo das Dores, o Menor P, e cumpriu pena após condenação, obtendo posteriormente reabilitação criminal na Justiça.

Nomeação política e investigações recentes

Sem problemas judiciais à época, Luciano foi nomeado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo então presidente André Ceciliano (PT) e, posteriormente, cedido até fevereiro de 2025 ao gabinete do deputado Dr. Luizinho (PP) em Brasília. A assessoria de André Ceciliano afirmou que o policial penal foi uma indicação do deputado André Lazaroni e que não se reuniu com ele em Brasília, sugerindo que ele pode ter tentado vender um prestígio que não tinha.

Em agosto de 2021, Bonitão já era alvo de investigação da Seap, suspeito de visitar o faraó dos bitcoins, Glaidson Acácio, na prisão, embora tenha negado o fato. Atualmente, há relatos de que ele divide seu tempo entre o Rio de Janeiro e os Estados Unidos.

Contexto do caso e próximos passos

Gerel Palm foi preso pela Interpol no Rio de Janeiro em 2021 e permanece no sistema penitenciário fluminense, sem ter sido extraditado. A inclusão de Luciano Pinheiro na Difusão Vermelha da Interpol representa um esforço das autoridades para intensificar a busca internacional, dada a complexidade do caso e as conexões transnacionais envolvidas.

A Polícia Federal continua as investigações para esclarecer todos os detalhes da articulação que visava beneficiar o traficante internacional, enquanto aguarda decisão do STF sobre o pedido de cooperação com a Interpol.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar