Operação prende suspeitos de agiotagem e extorsão em Manaus; servidora do TJAM relata ameaças
Operação prende suspeitos de agiotagem e extorsão em Manaus

Operação desmantela rede criminosa de agiotagem e extorsão em Manaus

Uma operação da Polícia Civil resultou na prisão de seis homens suspeitos de integrar um grupo criminoso especializado em agiotagem e extorsão na capital amazonense. Entre os detidos está o proprietário de um banco que, segundo as investigações, funcionava como fachada para lavagem de dinheiro. A ação, autorizada pela Justiça, também incluiu a quebra de sigilo telefônico e mandados de busca e apreensão.

Servidora do TJAM relata terror psicológico e perdas milionárias

Uma servidora do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), que preferiu manter o anonimato, descreveu em detalhes o calvário vivido por mais de cinco anos. Tudo começou em 2019, quando contraiu um empréstimo de aproximadamente R$ 5 mil. Hoje, a dívida supera a assustadora marca de R$ 500 mil.

"Golpista, estelionatária, vagabunda, pilantra... Eu nunca ouvi tanto palavrão na minha vida", relatou a vítima, emocionada. Ela calcula ter perdido mais de R$ 1,5 milhão entre transferências bancárias e a entrega de dois imóveis e um veículo aos agiotas.

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Ameaças graves e intimidações constantes

Os criminosos não mediram esforços para coagir a servidora. Em áudios obtidos com exclusividade, um dos suspeitos ameaçou sequestrar seu filho: "Vou mandar sequestrar teu filho hoje. Eu vou querer meu valor, tudinho que eu te emprestei".

Em outra ocasião, a vítima foi abordada no estacionamento do TJAM e forçada a entrar em um veículo com um agiota. As ameaças escalaram para incluir ataques a veículos oficiais do tribunal: "Vou metralhar o carro corporativo do Tribunal de Justiça, entendeu? Vou te matar ainda hoje", prometeu um dos criminosos.

Impacto devastador na vida pessoal e familiar

A servidora descreveu como a situação destruiu sua vida familiar: "Meu lar está destruído. Eu destruí minha relação com os meus filhos, minha relação familiar, meu casamento, tudo por conta de dívida com agiotas". Acostumada a viver rodeada de amigos, passou a se ver sozinha e emocionalmente abalada.

"Todo mundo com medo, amedrontado. Você fica assim, sem nada, sem nada, absolutamente nada", lamentou. A decisão de denunciar o esquemo veio quando percebeu que havia chegado ao limite: "Eu não posso viver desse jeito. Amedrontada, com medo, acuada de que eu vou ser sequestrada quando eu sair do meu trabalho".

Estrutura criminosa e apreensões significativas

O delegado Cícero Túlio, titular do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), explicou que o grupo era formado por diferentes núcleos de agiotas que miravam especificamente servidores públicos, principalmente de tribunais e outros órgãos oficiais do Amazonas.

Ikaro Michel, apontado como chefe do esquema, é dono do Banco Life, utilizado para lavar o dinheiro obtido com as práticas criminosas. Durante a operação, foram apreendidos:

  • Aproximadamente nove veículos
  • Dinheiro em espécie
  • Celulares e computadores
  • Uma arma escondida em cima de uma geladeira

"O Ikaro tinha uma função de destaque em relação a um dos núcleos investigados pela Polícia Civil, acabou criando um banco de fachada pra fingir escoar os valores que eram oriundos das práticas criminosas", afirmou o delegado.

Investigações continuam e instituições se manifestam

A investigação já identificou pelo menos cinco vítimas, incluindo a servidora do TJAM. O tribunal informou, em nota, que não vai se manifestar sobre o caso. A defesa de Ikaro Michel disse que só falará após ter acesso ao inquérito policial.

As autoridades alertam para os perigos da agiotagem e reforçam a importância de denunciar esse tipo de crime, que frequentemente começa com pequenos empréstimos e termina em situações de extrema violência psicológica e financeira.

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