Nove presos em operação contra fraude em concursos do TJPE e TCE-PE
Nove presos em fraude de concursos do TJPE e TCE-PE

Nove pessoas são presas em operação contra fraude em concursos do TJPE e TCE-PE

A Polícia Civil deflagrou nesta quarta-feira (25) duas operações contra uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos em Pernambuco. As ações, batizadas de Operação Kýma e Operação Crivo, resultaram na prisão de nove suspeitos e no cumprimento de 37 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Esquema complexo e hierarquizado

Segundo investigadores da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) e do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a quadrilha atuava há aproximadamente dez anos oferecendo diversos serviços ilegais a candidatos de concursos públicos. Entre os serviços disponibilizados estavam cópias de gabaritos, "clones" (pessoas que faziam as provas no lugar dos candidatos) e dispositivos de transmissão eletrônica.

O delegado Júlio Cesar Pinheiro, da 1ª Deccor, destacou que o esquema era extremamente organizado, com tarefas bem distribuídas e uma hierarquia rigorosa imposta pelo líder da organização, que também foi preso durante as operações. "Todos possuem histórico deste crime e alguns, inclusive o líder da quadrilha, possuem um histórico de crimes violentos, como roubo qualificado", afirmou o delegado.

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Fraudes específicas nos tribunais

A Operação Kýma investigou especificamente as fraudes ocorridas no concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para o cargo de técnico judiciário, realizado em 21 de setembro de 2025. As provas deste certame foram anuladas em janeiro após investigação da Polícia Federal confirmar a ocorrência de irregularidades.

Já a Operação Crivo teve início a partir de uma prisão em flagrante por fraude durante concurso público do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). Durante as apurações, os investigadores identificaram que a mesma quadrilha investigada na Operação Kýma estava envolvida neste caso.

Valores altos e esquema de pagamento

De acordo com as investigações, os candidatos pagavam valores que podiam chegar a R$ 70 mil pelos serviços fraudulentos. O esquema de pagamento funcionava em duas etapas:

  1. Uma parte do valor (entre R$ 3 mil e R$ 5 mil) era transferida antes das provas para custear dispositivos eletrônicos e operações logísticas
  2. A segunda parte era paga somente quando o candidato era aprovado no concurso e assumia o cargo, podendo ser até 20 vezes o salário inicial do cargo adquirido

Equipamentos sofisticados e envolvimento de policiais

Entre os equipamentos utilizados pela quadrilha estavam pontos eletrônicos e celulares adaptados para não serem detectados por aparelhos de segurança. A polícia apreendeu diversos dispositivos durante as operações que servirão como prova material dos crimes.

Entre os nove presos estão policiais militares de Pernambuco e do Piauí. A investigação identificou que ao menos quatro servidores de segurança pública participaram do esquema, sendo três policiais militares e um guarda municipal. Deste grupo, três eram membros da organização criminosa e um era cliente.

Investigações em andamento

O delegado Paulo Vitor, da 2ª Deccor, destacou a magnitude das operações: "Desencadeamos uma operação de repressão qualificada com mais de 100 policiais civis para dar cumprimento a 15 mandados de busca e apreensão. Conseguimos prova do concurso, mídias digitais, celulares que podem nos subsidiar em termos de materialidade delitiva".

A polícia ainda investiga como os clientes acessavam e contratavam os serviços da organização criminosa. As investigações seguem em andamento para identificar outros concursos e estados que possam ter sido alvos da quadrilha ao longo dos aproximadamente dez anos de atuação.

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