MP do Ceará denuncia 109 torcedores por crimes em confrontos antes do clássico
O Ministério Público do Ceará (MPCE) formalizou a denúncia contra 109 integrantes de torcidas organizadas dos clubes Ceará e Fortaleza, acusados de uma série de crimes graves após os violentos confrontos registrados horas antes do Clássico-Rei, no dia 8 de fevereiro, na capital cearense. Os envolvidos, que permanecem presos, enfrentam acusações que incluem lesão corporal de natureza grave, dano qualificado, associação criminosa, desobediência, corrupção de menores, além de tumulto, prática e incitação à violência.
Consequências dos confrontos e liberação de réus primários
As brigas, que eclodiram em diversos bairros de Fortaleza, resultaram em ferimentos, danos ao transporte coletivo, desrespeito a ordens legais, uso de instrumentos para atos violentos e a participação de adolescentes em atividades criminosas. O MPCE destacou que os acusados se estruturaram como uma associação criminosa para promover os tumultos e solicitou a manutenção das prisões preventivas.
Entretanto, a Justiça do Ceará determinou a liberação de 89 torcedores na segunda-feira, 23 de fevereiro, com a informação sendo divulgada pelo Tribunal de Justiça do estado na quarta-feira, 25. Os homens, considerados réus primários sem antecedentes criminais ou envolvimento em outros inquéritos, foram soltos da Unidade Prisional de Triagem e Observação Criminológica (UP-TOC), no Complexo Penitenciário de Aquiraz, na região metropolitana de Fortaleza.
Eles agora devem cumprir medidas cautelares, como:
- Proibição de deixar Fortaleza sem autorização judicial
- Comparecimento periódico à Coordenadoria de Alternativas Penais
- Restrição de acesso a estádios de futebol em um raio de cinco quilômetros nos dias de jogos do Ceará e do Fortaleza
Suspensão de torcidas e investigação de facção criminosa
Em resposta aos episódios de violência, o MPCE, através do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor (Nudetor), suspendeu quatro torcidas organizadas por cinco jogos no dia 10 de fevereiro. As torcidas punidas são: Torcida Organizada do Ceará (TOC), Movimento Organizado Força Independente (MOFI), Bonde da Aliança e Força da Galera. A medida, comunicada à Federação Cearense de Futebol e aos clubes, visa coibir novas ocorrências e reforçar a segurança nos eventos esportivos, com restrições como a proibição do uso de materiais musicais nos setores habituais.
Além disso, o Ministério Público está investigando ameaças atribuídas a uma facção criminosa que teria proibido brigas entre torcedores do Ceará e Fortaleza, alegando que os conflitos atraem problemas policiais. Após a circulação de mensagens nas redes sociais, os presidentes de duas das maiores torcidas organizadas, Weslley Paulo (Dudu) da Torcida Organizada Cearamor (TOC) e Anderson Xiboi da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), renunciaram aos cargos, embora não haja confirmação se as saídas estão ligadas às ordens da facção.
Durante os confrontos, mais de 350 pessoas foram capturadas, com a apreensão de paus, pedras, rojões, socos-ingleses e artefatos explosivos. A Justiça decretou prisão preventiva para 231 adultos, enquanto 15 foram liberados, sendo 12 sob medidas cautelares. Dos 113 adolescentes apreendidos, 97 foram liberados na Delegacia da Criança e do Adolescente, e 16 foram apresentados à Vara da Infância e Juventude, com a maioria recebendo medidas socioeducativas.



