Justiça mantém prisão de motorista que atropelou manifestantes bolsonaristas em rodovia de Mirassol
Motorista condenado por atropelar manifestantes em Mirassol

Justiça mantém condenação e determina prisão de motorista que atropelou manifestantes em rodovia de Mirassol

A Justiça da comarca de Mirassol, no interior de São Paulo, manteve a condenação e determinou a prisão do motorista que atropelou um grupo de pessoas durante um bloqueio rodoviário realizado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. O incidente ocorreu na rodovia Washington Luís, conhecida como SP-310, no dia 2 de novembro de 2022, em um contexto de manifestações políticas pós-eleições.

Decisão judicial em segunda instância confirma pena de mais de oito anos

A juíza Natália Berti, responsável pela comarca de Mirassol, proferiu a decisão em segunda instância na última sexta-feira, dia 20 de setembro de 2025, após analisar o recurso apresentado pela defesa do réu. A magistrada confirmou a sentença original, que condenou o motorista a oito anos e dois meses de prisão em regime fechado, emitida em 17 de setembro de 2025.

Conforme informações divulgadas à TV TEM, o advogado de defesa afirmou que o condenado vai se apresentar às autoridades policiais ainda nesta semana e que a equipe jurídica pretende interpor novo recurso contra a determinação de prisão. Apesar da confirmação da condenação, o réu poderá recorrer em liberdade, conforme estabelecido na decisão judicial.

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Júri popular considerou tentativa de homicídio simples

Durante o júri popular realizado no Fórum de Mirassol, a Justiça entendeu que houve tentativa de homicídio simples, retirando as qualificadoras que inicialmente constavam na acusação. A decisão judicial caracterizou o delito como continuado, abrangendo múltiplas vítimas no mesmo episódio.

O Ministério Público havia denunciado o motorista por 16 tentativas de homicídio, cometidas por meio que gerou perigo comum e por recurso que dificultou a defesa das vítimas. Na denúncia aceita em 21 de novembro de 2022, a promotoria argumentou que o condutor assumiu conscientemente o risco de matar 14 civis e dois policiais militares que estavam presentes no local do bloqueio.

Entre as vítimas estavam duas crianças, com idades de 10 e 11 anos na época do ocorrido. Segundo o Ministério Público, os crimes não se consumaram por circunstâncias alheias à vontade do motorista, mas foram praticados por meio que dificultou significativamente a defesa das pessoas atingidas.

Detalhes do atropelamento durante manifestação política

O atropelamento aconteceu durante uma manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, derrotado nas eleições presidenciais de 2022. Várias pessoas estavam gravando vídeos do ato quando o réu acelerou um veículo de cor prata e atingiu os manifestantes que bloqueavam a pista da rodovia.

Vídeos amplamente divulgados nas redes sociais mostraram as vítimas caídas no asfalto após o impacto. Segundo informações da Polícia Militar Rodoviária de São José do Rio Preto, uma negociação para liberar a rodovia estava em andamento quando ocorreu o atropelamento.

Várias ambulâncias foram acionadas imediatamente após o incidente, transportando os feridos para hospitais e unidades de saúde da região de Mirassol. O atendimento médico foi crucial para evitar consequências mais graves entre as vítimas.

Reação dos manifestantes e prisão do motorista

Logo após o atropelamento, os manifestantes bolsonaristas tentaram agredir o motorista responsável pelo incidente, mas foram contidos por equipes policiais que atuavam no local. Muitas pessoas cercaram e danificaram o veículo envolvido no atropelamento, demonstrando a tensão do momento.

O motorista foi preso em flagrante por tentativa de homicídio, sendo levado inicialmente à delegacia de Mirassol e posteriormente encaminhado à Divisão Especializada de Investigações Criminais de Rio Preto. Uma passageira que acompanhava o acusado também foi conduzida à delegacia, ouvida pelas autoridades e liberada em seguida.

A prisão em flagrante foi convertida em preventiva no dia 3 de novembro de 2022, mas a Justiça revogou a medida em fevereiro de 2023, permitindo que o réu aguardasse o julgamento em liberdade até a recente confirmação da condenação.

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