Polícia investiga morte de policial militar em SP após relatos de relacionamento abusivo
Morte de policial militar em SP: polícia investiga após relatos abusivos

Polícia Civil aprofunda investigação sobre morte de policial militar no Centro de São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo mantém diligências ativas para esclarecer as circunstâncias da morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada sem vida em seu apartamento localizado no bairro do Brás, região central da capital paulista. O caso, inicialmente registrado como suicídio consumado, ganhou nova complexidade após a inclusão da natureza de morte suspeita, conforme comunicado oficial da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Relato materno revela relacionamento marcado por violência psicológica

Em depoimento prestado à delegacia, a mãe da vítima forneceu um testemunho angustiante sobre a dinâmica conjugal entre Gisele e o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, com quem a policial militar era casada desde o ano de 2024. Segundo a declaração materna, o relacionamento era extremamente conturbado, caracterizado por um padrão de comportamento abusivo e violento por parte do oficial.

A mãe detalhou uma série de restrições impostas à filha, incluindo a proibição explícita de usar batom, salto alto e perfume. Além disso, Gisele era submetida a uma rigorosa cobrança pelo cumprimento de tarefas domésticas, criando um ambiente de constante pressão e controle. O ponto crítico teria ocorrido quando a policial militar manifestou a intenção de se separar.

"Quando minha filha mencionou a separação, ele enviou uma foto pelo celular onde aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça", relatou a mãe, destacando um episódio que ilustra o nível de tensão e possível manipulação no relacionamento. Na última sexta-feira, dia 13, Gisele teria telefonado para a mãe afirmando que não suportava mais a pressão e que desejava concretizar a separação.

Versão do tenente-coronel e a manhã da tragédia

Em contrapartida, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto apresentou sua versão dos fatos através do boletim de ocorrência. Ele afirmou que conheceu Gisele em 2021, oficializaram o namoro em 2023 e se casaram no ano seguinte. O oficial declarou que arcava com as despesas da residência e contribuía com os custos da escola da filha de sete anos de Gisele, fruto de um relacionamento anterior.

Segundo seu relato, o relacionamento começou a se deteriorar em 2025, quando ele passou a trabalhar no 49º Batalhão. Ele mencionou ter sido alvo de denúncias anônimas na Corregedoria da PM, atribuídas a colegas movidos por vingança, que inventaram um suposto caso extraconjugal. Esse boato, que teria chegado até Gisele, desencadeou crises de ciúmes e discussões frequentes, levando o casal a dormir em quartos separados.

Na manhã de quarta-feira, por volta das 7 horas, o tenente-coronel afirmou que foi ao quarto da esposa para propor a separação, alegando que "o relacionamento não estava mais funcionando". Ele descreveu que Gisele reagiu de forma exaltada, ordenou que ele saísse e bateu a porta. Em seguida, ele se dirigiu para tomar banho.

O oficial declarou manter sua arma de fogo sobre o armário no quarto onde dormia. Cerca de um minuto após entrar no banheiro, ouviu um barulho que inicialmente interpretou como uma porta batendo. Ao sair do banheiro, encontrou Gisele caída no chão do apartamento, apresentando um intenso sangramento na cabeça e com uma arma em sua mão.

Socorro imediato e investigação em andamento

A policial militar foi rapidamente socorrida e transportada para o Hospital das Clínicas, mas, infelizmente, não resistiu aos ferimentos. Gisele Alves Santana ingressou na corporação em 2014, atuando como soldado, e deixa uma filha de sete anos. A Polícia Civil enfatiza que as investigações estão em fase de apuração para determinar com precisão as circunstâncias que levaram ao disparo.

"Por enquanto, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto não é considerado formalmente suspeito", informaram as autoridades, ressaltando que todas as linhas de investigação permanecem abertas. A SSP reiterou, em nota oficial, que o caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado no 8º Distrito Policial (Brás) e, posteriormente, teve incluída a natureza de morte suspeita para uma apuração mais abrangente.

A defesa do tenente-coronel foi procurada para se manifestar sobre os relatos de relacionamento abusivo, mas ainda não se pronunciou publicamente. A tragédia evidencia não apenas um caso criminal sob investigação, mas também levanta questões profundas sobre violência doméstica e dinâmicas de poder dentro de relacionamentos, mesmo entre profissionais da segurança pública.