Miss Uberlândia é detida em São Paulo em megaoperação contra crime organizado
A influenciadora digital e Miss Universe Uberlândia 2025, Sara Monteiro, de 36 anos, foi presa na quarta-feira (15) durante a Operação Luxury, que investiga um sofisticado esquema de tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro com atuação em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Vida de luxo nas redes sociais contrasta com atividades criminosas
Com mais de 107 mil seguidores, Sara Monteiro se apresentava nas redes sociais com a descrição "Lifestyle, beleza e rotina fitness", compartilhando viagens internacionais, rotinas de treino, procedimentos estéticos e parcerias com marcas. Natural de Anápolis (GO) e formada em Administração de Empresas, ela mantinha uma loja chamada "Luxury" voltada para estética e já havia trabalhado com moda feminina.
Nas plataformas digitais, a miss ostentava viagens para países como Chile, Argentina, Paraguai, França, Israel, Grécia e México, além de publicar fotos e vídeos em festas em iates, cruzeiros e no festival Tomorrowland. Em março de 2026, chegou a publicar: "Esse ano é o ano do Karma. Boa sorte a todos que tentaram me destruir a troco de nada, estou ansiosa pela colheita!".
Título de cidadã honorária será revogado após prisão
Em fevereiro de 2025, Sara Monteiro recebeu o título de Cidadã Honorária de Uberlândia, concedido pela Câmara Municipal através de proposta do vereador Sargento Ednaldo (PP). Na justificativa, a Casa legislativa afirmava que ela era vista como exemplo de empreendedorismo e representação municipal.
Após a prisão, o vereador emitiu nota informando que a concessão do título foi baseada exclusivamente nas informações públicas disponíveis à época e que tomará providências imediatas para revogação. "Não compactuo com condutas que firam a lei e a ordem que jurei defender", afirmou Ednaldo, reforçando seu compromisso com o combate ao crime organizado.
Atuação no núcleo financeiro da organização criminosa
De acordo com as investigações da Polícia Federal, Sara Monteiro é esposa de um dos chefes da organização criminosa e atuava no núcleo financeiro do grupo. Ela era beneficiária direta da movimentação financeira da organização, usufruindo de recursos obtidos com o tráfico de drogas e participando do processo de ocultação da origem do dinheiro.
Embora não fosse responsável pela coordenação das ações criminosas, a miss atuava na lavagem de dinheiro através de gastos elevados, como as frequentes viagens internacionais que exibia nas redes sociais. Durante a prisão temporária, celulares e um notebook da investigada foram apreendidos.
Operação Luxury desmantela esquema milionário
A Operação Luxury, que recebeu esse nome em referência ao padrão de vida luxuoso ostentado pelos investigados e à loja de Sara, ocorre simultaneamente nos três estados e cumpriu:
- 27 mandados de prisão
- 42 mandados de busca e apreensão
- Mobilização de aproximadamente 160 agentes
- Bloqueio de até R$ 61 milhões em bens
Segundo a PF, a organização atuava de forma estruturada há pelo menos um ano e meio, com divisão de tarefas e logística sofisticada para transportar drogas do Mato Grosso do Sul ao Triângulo Mineiro. O grupo utilizava rotas estratégicas, veículos "batedores", internet via satélite e carros clonados.
Luxo ostentado escondia atividades ilícitas
O delegado da Polícia Civil e integrante da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), Rafael Herrera, destacou que a organização usava empresas fictícias para lavar dinheiro do tráfico e chamava atenção pelo padrão de luxo ostentado.
"De fato nos chamou a atenção no curso das investigações que alguns de seus integrantes ostentaram uma vida economicamente incompatível com sua realidade, com veículos, viagens e até a participação de uma miss que era ali esposa ou namorada de um dos integrantes", comentou o delegado.
Durante as investigações, agentes registraram a presença de Sara em uma chácara na zona rural de Uberlândia que funcionava como ponto de apoio logístico para equipes responsáveis pelo transporte de drogas da quadrilha.
Esquema movimentou milhões e apreensões significativas
As investigações identificaram que o suspeito apontado como chefe da organização e marido de Sara movimentou mais de R$ 11 milhões em transações sem comprovação de atividade lícita, ostentando veículos de alto padrão, imóveis de luxo e elevado custo de vida.
Na ação em Uberlândia, mandados foram cumpridos em condomínios de alto padrão na região sul da cidade, onde foram apreendidos veículos luxuosos como Porsche, BMW e Hilux. Em Uberaba, dois mandados de busca e apreensão resultaram no recolhimento de mais de 20 veículos.
Ao longo das investigações, foram apreendidas aproximadamente 5,9 toneladas de maconha, evidenciando a dimensão do esquema criminoso. Sara Monteiro deve responder pelos crimes de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e organização criminosa.



