Mulher é condenada à morte no Irã por envolvimento em protestos contra o regime
Mulher condenada à morte no Irã por protestos contra regime

Mulher é condenada à morte no Irã por envolvimento em protestos contra o regime

Uma mulher foi condenada à morte no Irã por seu envolvimento nos protestos contra o regime que começaram no fim do ano passado. A sentença foi aplicada a Bita Hemmati, que recebeu a pena capital junto com seu marido, Mohammadreza Majidi-Asl, e outros dois homens. O julgamento ocorreu em um Tribunal Revolucionário de Teerã, sob a responsabilidade do juiz Imam Afshari, marcando mais um capítulo na repressão violenta às manifestações que sacodem o país.

Acusações e detalhes do caso

De acordo com informações do jornal britânico The Sun, os quatro indivíduos foram acusados de atirar blocos de concreto de um prédio contra forças de segurança durante os protestos. Além disso, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, o grupo também foi condenado sob a acusação de agir em nome dos Estados Unidos, uma alegação frequentemente usada pelo regime para justificar punições severas. Até o momento, não há confirmação oficial sobre quando as execuções devem acontecer, deixando familiares e defensores de direitos humanos em estado de angústia e incerteza.

Contexto de execuções e repressão

Desde o início dos protestos, pelo menos sete pessoas já foram executadas no Irã por crimes ligados às manifestações. Entre as vítimas estão o lutador Saleh Mohammadi, de 19 anos, além de Mehdi Ghasemi e Saeed Davvodi, ambos com 21 anos. No início deste mês, o músico Amirhossein Hatami, de 18 anos, também foi executado na prisão de Ghezel Hesar, mesmo após apelos internacionais por clemência, demonstrando a indiferença do regime frente a pressões externas.

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Um relatório conjunto das organizações Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, e Together Against the Death Penalty (ECPM), baseada em Paris, revela dados alarmantes. O levantamento aponta que ao menos 1.630 pessoas foram executadas no Irã nos últimos 12 meses, um número que reflete o uso sistemático da pena de morte como ferramenta de controle social. O relatório também indica que 48 mulheres estão entre os executados, sendo 21 condenadas por assassinarem seus parceiros, o que destaca a gravidade da situação para as mulheres no país.

Denúncias de violações de direitos humanos

Entidades internacionais de direitos humanos acusam o regime iraniano de usar a pena de morte como ferramenta de repressão política e de forçar confissões por meio de coação e tortura. Segundo essas organizações, presos enfrentam pressão psicológica intensa e condições severas de detenção, incluindo celas superlotadas e falta de acesso a cuidados médicos adequados. Há ainda relatos preocupantes de que o número de mortos durante os protestos pode ultrapassar 33 mil, além de milhares de pessoas que foram presas ao longo das manifestações, criando um clima de medo e opressão generalizada.

Em um contexto paralelo, o Irã tem sido acusado de recrutar crianças para conflitos, ampliando sua frente de violações de direitos humanos. Nos anúncios que recrutam crianças, há chamados não apenas para servir em postos militares, mas também para funções que podem parecer menos perigosas, como participar de patrulhas e preparar comida, conforme destacado por especialistas. Essa prática agrava ainda mais a crise humanitária no país, colocando vidas jovens em risco e violando normas internacionais de proteção à infância.

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