Fifa reafirma presença iraniana na Copa do Mundo 2026, ignorando pressões políticas
Em uma declaração enfática, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, garantiu nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, que o Irã participará "sem dúvidas" da Copa do Mundo, que será realizada nos Estados Unidos, México e Canadá. A afirmação ocorre em meio a um cenário de tensão geopolítica, com a guerra no Oriente Médio colocando em xeque a presença da seleção asiática no torneio.
Conflito não impede classificação esportiva
A participação do Irã havia sido posta em dúvida após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao país, iniciados em 28 de fevereiro. No entanto, Infantino, durante um evento organizado pelo canal CNBC em Washington, destacou que a equipe iraniana, conhecida como 'Team Melli', se classificou legitimamente e representa seu povo. "Esperamos que, nesse momento [o início da Copa, em 11 de junho], a situação seja uma situação pacífica, o que realmente ajudaria", explicou o dirigente, acrescentando que os jogadores demonstram vontade de competir.
Esta edição da Copa do Mundo será histórica, marcando a primeira vez com 48 seleções, ocorrendo de 11 de junho a 19 de julho. O Irã está no Grupo G, onde enfrentará a Nova Zelândia e a Bélgica em Los Angeles, e o Egito em Seattle.
Pressões políticas e resposta da Fifa
O cenário político complicou-se quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu que os jogadores iranianos poderiam não estar "seguros" em solo americano. Além disso, no início do conflito, o Irã chegou a mencionar um possível boicote ao torneio e pediu à Fifa que transferisse seus jogos dos Estados Unidos para o México, solicitação que foi rejeitada pela entidade máxima do futebol.
Infantino foi categórico ao defender a separação entre esporte e política: "O esporte deve ser mantido fora da política. Certo, nós não moramos na Lua. Moramos no planeta Terra. Mas se não houver mais ninguém que acredite em construir pontes, e mantê-las intactas e unidas, nós é que faremos esse trabalho".
Contexto de guerra e trégua frágil
O conflito no Oriente Médio envolveu semanas de bombardeios aéreos contra o Irã e represálias iranianas contra Israel e países da região. Uma frágil trégua de duas semanas entrou em vigor em 8 de abril, mas a situação permanece instável, com Teerã fechando o estratégico Estreito de Ormuz e Washington impondo bloqueios a embarcações iranianas.
Diante disso, o presidente da Fifa expressou confiança no sucesso do evento, desde que seja seguro e ofereça grandes jogos. "A maior Copa do Mundo já organizada será um sucesso se ela se mostrar bem-sucedida do ponto de vista da segurança, isto é, sem incidentes, e do ponto de vista do futebol, com grandes jogos e um futebol empolgante", afirmou.
Com informações da agência de notícias AFP, a decisão de Infantino reforça o compromisso da Fifa em manter o esporte como um espaço de união, mesmo em tempos de divisão internacional.



