Julgamento de marido acusado de mandar matar esposa por seguro de vida é marcado para junho no Ceará
O Tribunal de Justiça do Ceará marcou para os dias 1º, 2 e 3 de junho o julgamento de Leonardo Nascimento Chaves, acusado de mandar matar a própria esposa, a contadora Kaianne Bezerra Lima Chaves, de 35 anos. O crime ocorreu em agosto de 2023, dentro da residência da vítima, na cidade de Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza.
Detalhes do processo e acusados
O júri popular acontecerá na Comarca de Aquiraz e deve durar três dias, devido ao elevado número de testemunhas que serão ouvidas. Os debates entre acusação e defesa podem ultrapassar nove horas de duração. Durante o período do júri, os jurados deverão permanecer incomunicáveis e hospedados em hotel, conforme determina a legislação.
Além de Leonardo, também será julgado Adriano Andrade Ribeiro, apontado pela polícia como executor do crime. A investigação aponta que o assassinato foi planejado para que o marido recebesse cerca de R$ 60 mil de um seguro de vida.
Relembrando o crime e as evidências
A contadora Kaianne Bezerra foi assassinada no fim de agosto de 2023. Os exames da perícia indicam que a mulher foi morta por asfixia. Inicialmente, a versão apresentada era de um latrocínio (roubo seguido de morte), com Leonardo inclusive pedindo para ser agredido pelos executores para reforçar essa narrativa.
No entanto, imagens de câmeras de segurança registraram o marido da vítima se encontrando com os executores em um shopping pouco antes do crime, o que foi crucial para a polícia esclarecer o caso. O encontro envolveu Leonardo, Adriano e um adolescente de 15 anos, que na época participou da ação auxiliando o executor.
Participação do adolescente e outros envolvidos
O adolescente, por ser menor de idade, respondeu ao caso no sistema socioeducativo e recebeu a medida máxima de internação de três anos. Outro homem, Philipe Azevedo de Araújo, chegou a ser denunciado como corréu, mas foi impronunciado pela Justiça por falta de indícios suficientes para levá-lo a júri popular.
Conforme relatos do adolescente, Leonardo orientou que os dois roubassem as alianças do casal e indicou onde estava um pedaço de madeira que deveria ser usado para matar a esposa. Ele também teria ajudado a retirar televisores das paredes e a colocar outros itens roubados no carro de Kaianne.
Contexto familiar e motivações
Familiares de Kaianne relataram que a contadora já havia tentado se separar de Leonardo após conflitos por causa dos gastos do marido. Este seria o único atrito que chegou ao conhecimento da família, pois, fora isso, o casal demonstrava viver em aparente harmonia.
Em outubro do ano passado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um recurso da defesa de Leonardo que tentava evitar que ele fosse julgado por júri popular, consolidando a data do julgamento para junho.



