Justiça determina libertação de delegada e marido presos por peculato em Belo Horizonte
A delegada Wanessa Santana Martins Vieira, de 38 anos, e seu marido, o advogado Renan Rachid Silva Vieira, também de 38 anos, foram presos nesta semana em Belo Horizonte, mas a Justiça ordenou sua soltura apenas um dia após a prisão. O casal, que é pai de uma criança, foi alvo de uma operação da Corregedoria da Polícia Civil motivada por denúncias de uso irregular de uma viatura descaracterizada.
Flagrante na Avenida Antônio Carlos e investigação por peculato
O flagrante ocorreu na Avenida Antônio Carlos, na Região da Pampulha, quando Renan foi surpreendido dirigindo o veículo público. A partir desse momento, ambos passaram a ser investigados por peculato, crime que envolve a apropriação ou utilização indevida de bem público. A delegada trabalha na delegacia de São José da Lapa, na Grande Belo Horizonte, e o marido é formado em direito desde 2013.
Histórico criminal do advogado Renan Rachid Silva Vieira
Antes da prisão, Renan já era investigado por uma série de crimes nos últimos anos, conforme fontes policiais. Entre as acusações, destacam-se:
- Estelionato em 2019: Ele teria falsificado um cheque de R$ 6 mil enquanto era funcionário de uma empresa, repassando-o a parentes empresários que começaram a cobrar a firma. A vítima relatou ter sido ameaçada de morte após tentar resolver a situação.
- Agiotagem em 2024: O advogado emprestou dinheiro a uma empresa de peças automotivas, com a dívida chegando a R$ 400 mil com juros. Quando a firma não conseguiu pagar, Renan ameaçou funcionários e proprietários.
- Ameaça e fraude em 2025: Ele teria vendido uma casa em Lagoa Santa, já penhorada, recebendo R$ 50 mil de adiantamento. A compradora denunciou o caso após descobrir a impossibilidade de transferir o imóvel, e Renan se recusou a devolver o dinheiro, cobrando ainda o valor total de R$ 800 mil.
Perfil da delegada Wanessa Santana Martins Vieira
Wanessa é delegada da Polícia Civil de Minas Gerais há pelo menos dez anos, integrando o quadro da PCMG conforme registros no Diário Oficial do Estado. Ela é especialista em criminologia pela Acadepol e, em janeiro de 2026, recebeu uma remuneração bruta de aproximadamente R$ 25,9 mil, segundo dados do Portal da Transparência do Executivo estadual. O casal é casado desde 2015.
Desfecho judicial e implicações do caso
A rápida soltura do casal pela Justiça, apenas um dia após a prisão, levanta questões sobre a eficácia das investigações e a aplicação da lei em casos de peculato. O uso de viatura descaracterizada para fins pessoais representa um grave desvio de conduta, especialmente envolvendo uma autoridade policial. As investigações continuam, e o caso pode ter desdobramentos futuros, considerando o histórico criminal de Renan e a posição de Wanessa na polícia.
O episódio reforça a necessidade de transparência e rigor no combate à corrupção dentro das instituições públicas, com foco na responsabilização de agentes que desvirtuam seus cargos.



