A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta sexta-feira (9), a prisão preventiva de João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da agência de viagens Hurb. O empresário está foragido desde quarta-feira (7).
Diante da fuga, o Ministério Público do Rio (MPRJ) solicitou à Justiça a inclusão do nome de Mendes na lista vermelha de procurados da Interpol e também o bloqueio de seu passaporte. A TV Globo tenta contato com a defesa do ex-executivo.
Descumprimento de medidas e tentativa de embarque com documento falso
A nova ordem de prisão foi decretada pelo juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal. A decisão ocorreu após o MPRJ apresentar pedido baseado no flagrante descumprimento das medidas cautelares que permitiram a liberdade provisória de Mendes em agosto de 2025.
O empresário foi detido na noite de segunda-feira (5) no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará. Ele tentava embarcar em um voo para Guarulhos, em São Paulo, quando funcionários da companhia aérea e da segurança desconfiaram do documento apresentado.
A abordagem constatou que se tratava de um documento falsificado. Além disso, verificou-se que a tornozeleira eletrônica, instrumento de monitoramento, estava descarregada. Mendes foi autuado por uso de documento falso e levado à Delegacia Regional de Acaraú.
Justiça aponta risco à ordem pública e reiteradas violações
Na decisão que decretou a nova prisão preventiva, o magistrado foi enfático. Ele destacou que o relatório da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) aponta reiteradas violações no monitoramento eletrônico cometidas pelo réu.
"O certo é que o deferimento de sua liberdade, ainda que com a imposição de medidas cautelares alternativas à prisão, não pode servir jamais como oportunidade para que ele pratique novos crimes; no caso, o de uso de documento falso", escreveu o juiz.
Ele acrescentou: "Tornou-se evidente, portanto, que a manutenção da liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno ao cárcere".
O juiz também ressaltou que não há informações precisas sobre o paradeiro atual de Mendes – se ele ainda está preso no Ceará ou se já foi solto após audiência de custódia. Por isso, determinou a comunicação do novo mandado de prisão às forças policiais.
Defesa contesta e anuncia recurso
A defesa do ex-CEO da Hurb, liderada pelo advogado Vicente Ramos Donnici, contesta a decisão. Alegou que Mendes não descumpriu as medidas cautelares, pois não permaneceu mais de 30 dias fora do Rio sem comunicar o Judiciário.
Segundo o advogado, Mendes viajou ao Ceará em 29 de dezembro. Donnici também argumentou que não há prova de que a tornozeleira estava desligada intencionalmente.
Em nota ao g1, a defesa afirmou que "a decretação de nova prisão é descabida, uma vez que João não descumpriu nenhuma das medidas cautelares impostas pelo juízo". O advogado informou que vai recorrer da decisão.
Além do episódio no aeroporto, o MPRJ alegou no pedido de prisão que Mendes desrespeitou outras determinações, como a ausência de apresentação de relatórios médicos desde setembro.
Histórico de prisão e medidas anteriores
João Ricardo Mendes ficou nacionalmente conhecido por comandar a Hurb durante a crise que levou ao cancelamento em massa de viagens. Seu histórico com a Justiça inclui uma prisão em flagrante em abril de 2025, por furtar obras de arte de um hotel na Barra da Tijuca e itens de um escritório de arquitetura.
Na ocasião, foi denunciado por furto qualificado e adulteração de identificação de veículo. Permaneceu em prisão preventiva por cerca de três meses até obter liberdade provisória em agosto de 2025, sob as seguintes condições:
- Monitoramento eletrônico por tornozeleira;
- Proibição de deixar o Rio de Janeiro sem autorização judicial;
- Entrega do passaporte às autoridades;
- Instauração de incidente para avaliação de possível questão de saúde mental.
O descumprimento dessas condições, culminando na tentativa de viagem com documento falso, levou a Justiça a reconsiderar sua liberdade e a decretar nova prisão preventiva, agora com pedido de alerta internacional.