Julgamento de PMs por execução de delator no aeroporto de Guarulhos será em junho
A Justiça marcou para os dias 22, 23, 24, 25 e 26 de junho o julgamento por júri popular dos três policiais militares acusados de participarem do assassinato do empresário Vinicius Gritzbach, ocorrido em 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. As sessões terão início sempre às 10h no Fórum da cidade, onde serão apresentadas as provas e os depoimentos sobre o crime que chocou o país.
Os acusados e as acusações
Os réus são o tenente Fernando Genauro da Silva, o cabo Denis Antônio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, que respondem presos pelo homicídio duplamente qualificado de Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Novais, além de duas tentativas de assassinato contra outras duas vítimas que ficaram feridas durante o ataque. As imagens de câmeras de segurança registraram toda a ação criminosa, mostrando a execução a tiros de fuzil logo após o desembarque do empresário.
O motorista Celso Novais, que não tinha qualquer relação com Gritzbach, foi atingido por um disparo durante a investida, enquanto as outras duas pessoas feridas também não possuíam envolvimento com o alvo principal. A violência do episódio evidenciou o risco extremo enfrentado por civis em meio a conflitos entre facções e agentes públicos corruptos.
Contexto da delação e motivação do crime
Antes de ser executado, Vinicius Gritzbach havia feito uma delação premiada ao Poder Judiciário, revelando um extenso esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que envolvia criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC), do Comando Vermelho (CV) e policiais corruptos. Em troca das informações, o empresário receberia o benefício da redução de pena caso fosse condenado por lavagem de dinheiro para as facções.
De acordo com a acusação do Ministério Público, Gritzbach foi jurado de morte por traficantes ligados ao PCC e ao CV, identificados como Emilio Castilho, o "Cigarreira", e Diego Amaral, o "Didi", após sua delação. A investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) também apontou o envolvimento de Kauê Coelho, o "Jubi", que teria seguido o empresário e fornecido informações aos executores sobre sua chegada ao aeroporto.
Os motivos para o assassinato, segundo a Promotoria, incluem:
- Gritzbach ter desfalcado financeiramente os criminosos que investiram em imóveis de luxo e criptomoedas;
- Suspeitas de que ele teria mandado matar dois membros do PCC;
- A entrega à Justiça dos integrantes das quadrilhas para quem lavava dinheiro.
Papel dos policiais militares e situação processual
O Ministério Público afirma que os três PMs foram contratados para executar Gritzbach: o cabo Denis e o soldado Ruan atuaram como atiradores, enquanto o tenente Fernando dirigiu o carro usado na fuga. Eles estão detidos preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista, aguardando o julgamento.
Os traficantes Cigarreira, Didi e Kauê também foram acusados em processo separado, mas seguem foragidos e são procurados pela Justiça, sem data marcada para seu julgamento. Este caso escancarou as complexas ligações entre facções criminosas e agentes da segurança pública, levantando questões sobre a infiltração do crime organizado nas instituições.
Posição da defesa e antecedentes
Os advogados Claudio Dalledone Júnior e Renan Pacheco Canto, que atuam na defesa dos três PMs, afirmam que o júri será "muito disputado", com a controvérsia centrada em quem ordenou o assassinato: se foi o PCC ou a "banda podre" da Polícia Civil de São Paulo. Eles destacam que, em 2025, a Justiça Militar já havia condenado 11 policiais militares por fazerem segurança particular ilegal de Gritzbach, embora Denis, Ruan e Fernando não tenham sido acusados naquela ocasião.
A condenação anterior dos agentes foi pelos crimes de integrar organização criminosa e falsidade ideológica, relacionados à escolta ilegal do empresário. O caso Gritzbach continua a reverberar no sistema de justiça, expondo as ramificações perigosas da corrupção e da violência no estado de São Paulo.