Homem é espancado até a morte após acusação de abuso em Praia Grande; julgamento tem início
Julgamento de homem que espancou vítima até a morte começa em Praia Grande

Julgamento de acusado de espancamento fatal tem início em Praia Grande

Michel Gonçalves de Araújo, um dos envolvidos no espancamento que resultou na morte de Cesar Augusto Miranda da Silva, de 28 anos, começou a ser julgado nesta quinta-feira (12), no Fórum de Praia Grande, localizado na Avenida Dr. Roberto Vinhas, no bairro Nova Mirim. O processo teve início às 9h, com a previsão de ouvirem-se testemunhas, incluindo policiais que atenderam a ocorrência e familiares do réu.

Detalhes do crime violento em novembro de 2023

O caso remonta a 5 de novembro de 2023, quando Cesar foi brutalmente agredido na Rua Nilo Coelho, no bairro Aviação, em Praia Grande. Segundo a investigação, ele foi perseguido por dois homens após ser acusado de tentar abusar sexualmente da filha de Michel, uma alegação que ainda está sob apuração. A denúncia do Ministério Público relata que a filha de Michel disse estar voltando de uma festa e, ao entrar em casa, sentiu alguém puxá-la pela cintura, gritando por socorro.

Após ouvir o relato, Michel entrou no carro e iniciou uma perseguição por Cesar pelo bairro, chegando a atropelar a vítima, que conseguiu se levantar e continuar correndo. Imagens obtidas à época mostram Cesar tentando escalar o portão de uma residência para fugir, mas os dois suspeitos o puxaram pelas pernas, derrubando-o. Ele teve a bermuda arrancada, ficou nu e foi agredido com chutes e socos, incluindo um chute no rosto.

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Michel foi até o carro e pegou um macaco automotivo, ferramenta utilizada para levantar veículos, e atingiu Cesar na cabeça. Os golpes na região provocaram lesões que resultaram na morte, conforme o boletim de ocorrência. A Polícia Militar encontrou Cesar caído no chão, com ferimentos pelo corpo e sangramento na nuca, e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte no local.

Envolvimento dos acusados e situação processual

O outro envolvido, Deivison Andrade dos Santos, foi preso na época do crime, mas foi absolvido em julgamento realizado em 24 de abril de 2025, após os jurados entenderem que ele não participou diretamente do homicídio. Michel confessou participação nas agressões e ficou preso preventivamente entre maio de 2024 e março de 2025, quando obteve liberdade provisória. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.

A defesa de Michel, representada pelo advogado Marcos Alberto de Campos, sustenta que ele agiu sob forte emoção e sem intenção de matar, admitindo a autoria das agressões na delegacia, mas negando o dolo. A tese apresentada é de homicídio privilegiado e legítima defesa de terceiro, argumentando que a agressão teria sido motivada por uma suposta importunação sexual contra a filha do acusado.

Por outro lado, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) denunciou o caso como homicídio duplamente qualificado, buscando uma condenação mais severa. O julgamento deve prosseguir com a oitiva de testemunhas e a análise das provas, podendo definir o futuro jurídico de Michel.

Contexto legal do homicídio privilegiado

O homicídio privilegiado é previsto no Código Penal quando o autor do crime age sob forte emoção, logo após uma provocação da vítima, ou quando comete o ato por relevante valor social ou moral. Nesses casos, o júri pode reconhecer que houve o crime, mas entender que existiam circunstâncias que diminuem a culpabilidade do réu, resultando em uma pena reduzida de um sexto a um terço.

Este julgamento em Praia Grande destaca questões complexas sobre violência, justiça e as reações emocionais em situações de suposta ameaça familiar, com implicações significativas para a comunidade local e o sistema jurídico brasileiro.

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