Julgamento de acusados por feminicídio de cantora gospel Sara Freitas é adiado novamente na Bahia
Julgamento de acusados por morte de cantora gospel é adiado na Bahia

Julgamento de acusados por feminicídio de cantora gospel é adiado após abandono de advogados

O júri popular dos três homens acusados pelo assassinato da cantora gospel Sara Freitas, que começou nesta terça-feira (24), foi adiado após os advogados dos réus abandonarem o fórum. Ederlan Santos Mariano (marido da vítima), Weslen Pablo Correia de Jesus (conhecido como Bispo Zadoque) e Victor Gabriel Oliveira Neves são julgados por feminicídio, ocultação de cadáver e associação criminosa.

Histórico de adiamentos e alegações de falta de estrutura

O julgamento estava originalmente marcado para quatro meses atrás, em novembro, mas foi suspenso quando os advogados dos réus deixaram o local, alegando falta de estrutura e segurança adequadas. A Justiça considerou essa atitude ilegal e remarcou a sessão para o mesmo local: o Fórum Desembargador Gerson Pereira dos Santos, em Dias D'Ávila, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).

Sara Freitas foi brutalmente assassinada no dia 24 de outubro de 2023, e seu corpo foi encontrado três dias depois, às margens da BA-093. A cantora, que tinha mais de 50 mil seguidores nas redes sociais, desapareceu após sair de casa para uma reunião de mulheres em uma igreja.

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Papel de cada acusado e condenação anterior

Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Euvaldo Costa, cada um dos acusados teve um papel específico no crime:

  • Ederlan Mariano, o marido da vítima, encomendou o feminicídio.
  • Gideão Duarte de Lima, já condenado a 20 anos e 4 meses de prisão em abril de 2025, transportou Sara até o local do crime.
  • Victor Gabriel segurou a vítima durante o ataque.
  • Weslen Pablo Correia de Jesus, o Bispo Zadoque, esfaqueou Sara Freitas.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) sustenta a acusação de feminicídio cometido por motivo torpe, meio cruel e com impossibilidade de defesa da vítima, além de ocultação de cadáver e associação criminosa.

Divisão financeira e confissões

Durante acareação na Delegacia de Dias D'Ávila, Gideão, Victor Gabriel e Bispo Zadoque admitiram ter dividido R$ 2 mil pagos por Ederlan Mariano para executar o crime. A divisão foi detalhada:

  1. R$ 900 para Weslen Pablo (Bispo Zadoque), executor e responsável pela ocultação do cadáver.
  2. R$ 500 para Victor Gabriel, que segurou a vítima e participou da ocultação.
  3. R$ 400 para Gideão Duarte pelo transporte e logística.
  4. R$ 200 para um homem identificado como "cantor Davi Oliveira", que sabia do plano mas não participou ativamente.

A polícia ainda não divulgou se esse último indivíduo será indiciado.

Contexto familiar e motivações

A família de Sara Freitas revelou que Ederlan Mariano era agressivo com a esposa, forçava relações sexuais, e ela planejava sair de casa. Pouco antes de morrer, a cantora disse à mãe que tinha algo importante para revelar, mas não teve tempo. A família pediu para que a imprensa não chame mais a artista de "Sara Mariano", rejeitando a associação com o sobrenome do marido acusado.

Atualmente, Ederlan, Weslen Pablo e Victor Gabriel seguem presos, aguardando a nova data de julgamento. O caso continua a mobilizar atenção pública na Bahia, destacando questões graves de violência contra a mulher e justiça criminal.

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