Julgamento da maior chacina do DF entra na fase final com réus algemados
Julgamento da maior chacina do DF entra na fase final

Julgamento da maior chacina do Distrito Federal entra na fase decisiva

O julgamento dos cinco réus acusados pela maior chacina da história do Distrito Federal alcança sua reta final neste sábado (18), com o início da votação dos jurados. Os acusados acompanham os procedimentos algemados, enquanto o tribunal se prepara para analisar aproximadamente 500 quesitos que determinarão seu destino.

Etapa crucial em sigilo

Após o encerramento dos debates entre acusação e defesa na sexta-feira (17), os jurados iniciam a fase de impugnação dos quesitos. Nesta etapa, realizada em completo sigilo, o juiz apresenta perguntas objetivas que devem ser respondidas com "sim" ou "não" pelo júri popular. A sentença será definida com base na maioria dos votos, com expectativa de que a votação se estenda até a noite de sábado ou mesmo a manhã de domingo.

Uma das juradas precisou ser substituída por um suplente após apresentar problemas de saúde durante as sessões de sexta-feira, demonstrando a intensidade emocional do processo que começou na segunda-feira (14). Ao longo da semana, o tribunal ouviu depoimentos de 18 testemunhas, interrogatórios de quatro dos cinco réus e as sustentações finais das partes envolvidas.

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Penas que podem ultrapassar três séculos

Os cinco homens enfrentam acusações gravíssimas que, segundo o Ministério Público do Distrito Federal, podem resultar em penas somadas variando entre 211 e 385 anos de prisão, caso sejam condenados. Os réus são:

  • Gideon Batista de Menezes: acusado de homicídios qualificados (incluindo as dez vítimas), extorsão mediante sequestro, ocultação e destruição de cadáver, associação criminosa, corrupção de menor, roubo e constrangimento ilegal
  • Horácio Carlos Ferreira Barbosa: responde por homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, ocultação e destruição de cadáver, associação criminosa, corrupção de menor, roubo e fraude processual por tentativa de apagar provas
  • Carlomam dos Santos Nogueira: enfrenta acusações de homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, ocultação e destruição de cadáver, associação criminosa, corrupção de menor e roubo
  • Fabrício Silva Canhedo: acusado de extorsão mediante sequestro, associação criminosa, roubo e fraude processual. O Ministério Público não o aponta como executor direto das mortes, mas como participante do plano e responsável por apoio logístico, incluindo fornecimento de armas e manutenção do cativeiro
  • Carlos Henrique Alves da Silva: responde por sequestro e homicídio qualificado de Thiago

Cronologia de um crime brutal

A investigação classificou os eventos como um "plano cruel e torpe", com os acusados atuando de forma coordenada durante semanas. Segundo a denúncia:

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  1. Em outubro de 2022, Gideon, Horácio, Fabrício e Carlomam se associam para cometer crimes
  2. Em 27 de dezembro de 2022, três dos acusados rendem Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sua esposa Renata Juliene Belchior e a filha Gabriela Belchior em uma chácara, roubando aproximadamente R$ 49 mil. Marcos é morto e esquartejado no local
  3. Entre 2 e 4 de janeiro de 2023, Cláudia Regina Marques de Oliveira e sua filha Ana Beatriz são rendidas no Lago Norte e levadas para o mesmo cativeiro
  4. Em 12 de janeiro de 2023, Thiago Gabriel Belchior é atraído até a chácara Quilombo e sequestrado com ajuda de Carlos Henrique
  5. Nos dias 12 e 13 de janeiro, Elizamar e seus três filhos (Rafael, Rafaela e Gabriel) são convencidos a ir até a chácara, onde são rendidos e posteriormente mortos por estrangulamento em Cristalina (GO)
  6. Em 14 de janeiro, Renata e Gabriela Belchior são levadas para Unaí (MG) e assassinadas por estrangulamento
  7. Em 15 de janeiro, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago são levados até uma cisterna em Planaltina e mortos a golpes de faca
  8. Em 16 de janeiro, parte do grupo tenta destruir provas queimando objetos do cativeiro e alterando o local

O julgamento representa um marco na história criminal do Distrito Federal, com dez vítimas de uma mesma família brutalmente assassinadas. Após a votação dos jurados, o juiz lerá a sentença em plenário, encerrando um dos processos criminais mais complexos e emocionantes dos últimos anos na capital federal.