Justiça marca júri popular de Marcelly Peretto, acusada de envolvimento na morte do irmão
Júri popular de Marcelly Peretto, acusada de morte do irmão, é marcado

Justiça define data para júri popular de Marcelly Peretto, acusada de envolvimento na morte do irmão

A Justiça estabeleceu a data do júri popular de Marcelly Peretto, ré acusada de envolvimento no assassinato do irmão e comerciante Igor Peretto, ocorrido em Praia Grande, no litoral de São Paulo. A defesa da acusada afirmou ao g1 que espera a absolvição da cliente, enquanto Mário Vitorino, ex-marido de Marcelly e também acusado pelo crime, ainda não tem data definida para ser levado ao Tribunal do Júri.

Detalhes do caso e desmembramento do processo

O crime aconteceu no dia 31 de agosto de 2024, no apartamento de Marcelly Peretto. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou inicialmente três pessoas: Rafaela Costa (viúva de Igor), Marcelly Peretto (irmã por parte de pai) e Mário Vitorino (cunhado). A acusação alegou que a vítima era vista como um "empecilho no triângulo amoroso" formado entre eles, com o crime sendo premeditado.

No entanto, a viúva Rafaela Costa foi solta em 17 de outubro de 2025, após o juiz Felipe Esmanhoto Mateo desclassificá-la da denúncia. O magistrado afirmou que ela não estava no apartamento no momento do crime e que as provas colhidas não foram suficientes para comprovar sua participação.

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Na mesma decisão, o juiz determinou a pronúncia de Mário Vitorino e Marcelly Peretto, submetendo-os a júri popular pelo crime de homicídio triplamente qualificado. As qualificadoras incluem motivo torpe (relacionamento entre os acusados), meio cruel (diversos golpes de faca) e recurso que dificultou a defesa (vítima desarmada e atacada por pessoa de seu relacionamento próximo).

Estratégias de defesa e mudanças no processo

Inicialmente, Mário e Marcelly eram julgados juntos, mas o processo foi desmembrado após Marcelly contratar uma nova equipe de defesa, que adotou uma estratégia diferente. O antigo advogado de Marcelly havia entrado com recurso contra a decisão de pronúncia, assim como a defesa de Mário, mas o novo advogado, Alex Ochsendorf, desistiu do recurso.

Ochsendorf explicou que a decisão foi tomada para evitar que a cliente passasse mais tempo presa, já que ela permaneceria em cárcere até o final do julgamento dos recursos e, mesmo assim, ainda poderia ser levada a júri popular. "Como ela está presa, ela não tem que aguardar o julgamento do Mário. Então, ela vai a julgamento [tribunal do júri], enquanto o Mário vai ser julgado pelo recurso dele", afirmou o advogado.

A data inicial do júri popular seria em abril, mas em fevereiro, a Justiça marcou a audiência para o dia 20 de agosto, às 9h. Ochsendorf declarou que pretende a absolvição da ré, mas não detalhou as estratégias específicas que serão adotadas para a defesa no Tribunal do Júri.

Recurso de Mário Vitorino e contexto do crime

O advogado Mário Badures, que representa Mário Vitorino, informou que o objetivo do recurso contra a sentença de pronúncia é principalmente o afastamento das qualificadoras propostas pelo MP-SP. "Mário Vitorino aguarda o julgamento em segunda instância visando o reconhecimento de diversas nulidades e, principalmente, o afastamento das qualificadoras. É totalmente fora de contexto o motivo torpe afeto ao trisal, eis que estavam, reconhecidamente, todos separados, assim como o recurso que impossibilitou a defesa em razão da evidente luta que houve no local e que teve início pela própria vítima", explicou Badures.

De acordo com ele, ainda não há data para o recurso ser julgado em segunda instância. O crime ocorreu em um contexto de relacionamentos complexos: segundo depoimentos, a viúva Rafaela tinha um caso com Mário Vitorino, e o advogado de Marcelly afirmou que a cliente e Rafaela tiveram um envolvimento amoroso no apartamento antes da chegada de Igor e Mário.

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Igor Peretto foi morto a facadas, e um laudo necroscópico obtido pelo g1 indicou que ele teria ficado tetraplégico se tivesse sobrevivido. As mulheres se entregaram e foram presas em 6 de setembro de 2024, enquanto Mário Vitorino foi detido em 15 de setembro do mesmo ano, após ser encontrado escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha (SP).