Equipes da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros intensificaram as buscas, na manhã desta sexta-feira (13), por três integrantes da mesma família que estão desaparecidos há mais de 40 dias em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Os trabalhos estão concentrados em uma residência na região da Vila Nair, que pertence a um familiar do principal suspeito, conforme informações apuradas pela RBS TV. Cães farejadores foram mobilizados para auxiliar nas operações.
Vítimas e ausência de movimentações financeiras
As vítimas são Silvana Germann de Aguiar, de 48 anos, e seus pais, Isail Aguiar, de 69, e Dalmira Aguiar, de 70 anos. Eles não são vistos desde os dias 24 e 25 de janeiro. Um dado crucial chamou a atenção das autoridades: as contas bancárias de Silvana, Isail e Dalmira não apresentaram nenhuma movimentação durante todo esse período. Essa ausência de atividade financeira levou a polícia a praticamente descartar a possibilidade de encontrar a família com vida.
"Nenhuma pessoa ficaria mais de 40 dias fora da sua residência sem fazer movimentações financeiras para subsistir. Não condiz com a realidade", afirmou o delegado Anderson Spier, responsável pelo caso. Silvana, inclusive, já foi incluída na lista oficial de vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026, reforçando a gravidade das suspeitas.
Linha de investigação e suspeito
A principal linha de investigação aponta para um crime de feminicídio contra Silvana, duplo homicídio de seus pais e ocultação dos cadáveres. O único suspeito identificado até o momento é o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-companheiro de Silvana, que está preso temporariamente desde o dia 10 de fevereiro.
Em nota, o advogado Jeverson Barcellos, que representa Cristiano, informou que mantém "efetiva colaboração com as autoridades" e que "irá se debruçar sobre a decisão e seus fundamentos, para analisar eventual combate por via de habeas corpus". Com a prorrogação da prisão de Cristiano, a polícia espera concluir o inquérito sobre o caso em até 30 dias.
Elementos apreendidos e perícias
Na semana passada, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de um amigo do policial militar suspeito. O objetivo era checar o álibi apresentado por Cristiano, que afirmou ter jantado com esse amigo na noite do desaparecimento de Silvana. Na residência, foram apreendidos um celular, um pen drive, um HD externo e um videogame.
Conforme a polícia, o telefone foi apreendido para verificação da geolocalização, mensagens de texto trocadas com o suspeito e outros dados. Já o videogame foi recolhido para confirmar se o dispositivo foi conectado à rede Wi-Fi da casa de Cristiano naquela noite. O amigo relatou à polícia que passou a noite de 24 de janeiro na residência do suspeito, onde também estava o filho de Cristiano, e que teriam jogado videogame até a madrugada do dia 25.
O Instituto-Geral de Perícias (IGP) afirmou que "os laudos, assim que concluídos, sempre são entregues diretamente aos cuidados da autoridade solicitante", sem prazo definido para a devolutiva. O advogado de Cristiano expressou surpresa com as buscas na casa do amigo, já que ele é uma testemunha indicada pela própria defesa.
Outras frentes de investigação
As investigações já levaram a polícia a um sítio da família do policial militar e a outra propriedade dos Aguiar, além das casas dos desaparecidos e a do próprio suspeito. Paralelamente, as autoridades tentam esclarecer a identidade do proprietário de um carro vermelho que entrou na casa de Silvana no dia do desaparecimento.
Outra frente aguarda o resultado da perícia nas amostras de sangue encontradas no pátio da residência da vítima. "A gente ainda precisa de algumas perícias com relação ao material genético, que estão pendentes", acrescentou o delegado Spier, destacando a complexidade do caso.
Linha do tempo do desaparecimento
Para entender a sequência dos eventos, é importante relembrar os principais acontecimentos:
- Antes do sumiço: Em 2 de janeiro, Silvana solicitou o contato do Conselho Tutelar em um grupo de mensagens. No dia 9 de janeiro, ela compareceu ao Conselho para registrar que seu ex-marido, Cristiano, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal.
- Fim de semana dos desaparecimentos: Em 24 de janeiro, Silvana foi vista pela última vez. Uma publicação falsa em suas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas a polícia confirmou que o acidente nunca aconteceu. Imagens de câmeras de segurança registraram movimentação atípica de veículos naquela noite.
- 25 de janeiro: Os pais de Silvana, Isail e Dalmira, saíram para procurar a filha após serem alertados por vizinhos. Eles tentaram registrar o desaparecimento na delegacia, mas a unidade estava fechada. Após visitarem a casa do ex-genro, Cristiano, os idosos foram vistos entrando em um carro não identificado e não foram mais localizados.
- Início das investigações: As ocorrências de desaparecimento foram formalizadas em 27 e 28 de janeiro. Cristiano comunicou o sumiço de Silvana, e uma sobrinha informou sobre o desaparecimento dos idosos.
- Perícias e prisão: Em 5 de fevereiro, a perícia coletou material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue. No dia 7, o celular de Silvana foi localizado após denúncia anônima. Em 10 de fevereiro, Cristiano foi preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita.
- Desdobramentos recentes: Em 24 de fevereiro, a perícia do celular de Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, contradizendo a publicação falsa. No dia 25, Silvana foi considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026.
O caso continua sob intensa investigação, com a polícia mobilizando recursos para localizar os corpos e esclarecer os detalhes desse trágico desaparecimento que comove a comunidade de Cachoeirinha e toda a região metropolitana de Porto Alegre.



