Falso médico absolvido em Sorocaba após forjar própria morte para fugir da Justiça
Falso médico absolvido após forjar morte para fugir da Justiça

Falso médico é absolvido em julgamento histórico em Sorocaba

Fernando Henrique Dardis, o homem que se passou por médico e forjou a própria morte para escapar da Justiça, foi absolvido da acusação de homicídio da paciente Helena Rodrigues, ocorrido em 2011. O julgamento, realizado no Fórum de Sorocaba, no interior de São Paulo, terminou na noite desta quinta-feira (26) com a decisão dos jurados, que determinaram a expedição do alvará de soltura do réu.

Depoimentos tensos e contradições no tribunal

Durante o dia de julgamento, foram ouvidas três testemunhas, sendo uma de acusação e duas de defesa, além do próprio interrogatório de Fernando Dardis. O depoimento do filho da vítima, única testemunha de acusação, foi marcado por intensa tensão emocional. Ele apontou diretamente para o réu e declarou: "matou a minha mãe". No entanto, a defesa questionou a consistência de seu relato, comparando-o com depoimentos anteriores.

As testemunhas de defesa incluíram a irmã mais velha de Fernando e um médico legista aposentado, enquanto outras duas testemunhas arroladas pela defesa foram dispensadas pelo tribunal.

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Confissões de mentiras, mas negação de culpa

Em seu interrogatório, Fernando Dardis fez uma série de confissões impressionantes, mas manteve sua inocência quanto à morte da paciente. Ele admitiu ter fingido cursar medicina para agradar a mãe, o que o levou a conseguir emprego na Santa Casa de Sorocaba. "Comecei a mentir na minha vida e a mentira vai crescendo, é uma bola de neve, um câncer", declarou ao tribunal.

O réu também confessou ter forjado a própria morte por medo de ser preso antes do nascimento de sua filha e de ter falsificado um atestado médico para adiar o julgamento. Sobre a morte de Helena Rodrigues, ele alegou que apenas fazia triagem e encaminhava pacientes a outros médicos, sem definir a conduta final do atendimento, e portanto não seria responsável.

Fraude processual investigada paralelamente

O julgamento ocorreu em meio a uma investigação paralela contra a advogada Leandra Ferreira dos Santos Bastos. A Polícia Civil, a pedido do Ministério Público de São Paulo, apura se ela se apresentou como assistente de acusação sem ter sido contratada pela família da vítima. A filha de Helena, Eliana Rodrigues, declarou ao MP que não reconhece a assinatura na procuração.

O promotor Antônio Farto Neto classificou o episódio como uma "sucessão de fraudes" e uma interferência indevida no processo. O juiz, no entanto, não autorizou que Eliana fosse ouvida durante o júri desta quinta-feira.

Relembrando o caso que chocou o país

Em outubro de 2011, Helena Rodrigues procurou a Santa Casa de Sorocaba com sintomas de infarto. Ela foi atendida por Fernando Dardis, que se passava pelo médico "Dr. Ariosvaldo" e a diagnosticou com dor nas costas, prescrevendo apenas um analgésico. No dia seguinte, a paciente sofreu uma parada cardiorrespiratória e faleceu.

O caso ganhou repercussão nacional em 2024, quando o programa Fantástico revelou que Dardis havia forjado a própria morte para não ser julgado. Ele foi preso em junho de 2025 após se entregar às autoridades.

Fernando Dardis ainda responde por exercício ilegal da medicina e falsidade ideológica, além de ser acusado pela morte de outra paciente, Therezinha Monticelli Calvim, em um caso que ainda não foi a julgamento. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo também mantém investigação sobre o caso.

O advogado de defesa, Fernando Libman, afirmou que a tese aceita pelos jurados foi provar que a conduta de seu cliente não causou a morte da paciente. "Ele vai ser julgado se a atitude dele, como profissional da saúde habilitado ou não, causou a morte da dona Helena. O resto para nós é periférico", declarou o defensor antes do veredicto.

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