Defesa Civil interdita 12 elevadores em residencial vizinho a condomínio onde mulher ficou paraplégica
A Defesa Civil de João Pessoa interditou, nesta sexta-feira (15), 12 elevadores do residencial Reserve Altiplano 2. O empreendimento é da mesma construtora e vizinho ao condomínio onde um elevador desabou com três pessoas dentro, deixando uma mulher paraplégica. Na quinta-feira (14), a Defesa Civil já havia interditado os elevadores do condomínio onde o acidente ocorreu.
De acordo com o coronel Kelson de Assis, coordenador da Defesa Civil Municipal, a interdição foi motivada por pedido do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB). A construtora responsável informou que a interdição é de responsabilidade da administração do condomínio, que não foi localizada até o momento.
Acidente deixou mulher paraplégica
Uma mulher de 36 anos, que estava no elevador quando o equipamento despencou, ficou paraplégica devido a uma lesão na coluna. Na quinta-feira (14), ela passou por cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Neves e está com quadro clínico estável. A mulher estava acompanhada dos filhos, duas crianças de 3 e 5 anos, que foram atendidas e receberam alta do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
Segundo o diretor do Trauma, o diagnóstico de paraplegia foi confirmado por exames de tomografia e a família foi informada. A paciente é estrangeira, natural do Suriname, mas a família mora na Holanda. Ela trabalhava em regime remoto e se mudou para João Pessoa com os filhos por gostar do clima da cidade. As crianças permanecem no apartamento dela sob cuidados de um amigo morador do condomínio.
Condomínio já havia processado construtora
Antes da queda do elevador, o condomínio já havia acionado a construtora GGP na Justiça. O processo tramita na 7ª Vara Cível da Capital e aponta supostos problemas estruturais e falhas recorrentes nos elevadores. Um laudo obtido pela Rede Paraíba indica a necessidade de substituição integral dos equipamentos.
Na ação, o condomínio relata travamentos, interrupções, falhas em sistemas de segurança e episódios anteriores. A construtora afirmou que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos é do condomínio a partir do momento em que os moradores passam a usar os equipamentos regularmente. Sobre as alegações de falhas estruturais e o processo judicial, a construtora não se pronunciou até a última atualização.
Laudo de 2026 aponta falhas graves
Um laudo elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 lista várias inconformidades no elevador do Bloco B, incluindo problemas de alta prioridade e risco à segurança. Entre os problemas estão ausência de sinalização de segurança, falta de extintor de incêndio adequado, inexistência de iluminação de emergência e falhas no aterramento elétrico. O documento também registrou ausência de ventilação adequada e de dispositivos de resgate emergencial.
A máquina de tração do elevador não atende à capacidade de peso nem às normas de segurança, recomendando a substituição completa do equipamento. A pendência foi classificada como prioridade alta.
O desabamento
O elevador despencou do terceiro andar de um prédio no condomínio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, no fim da tarde de quarta-feira (13). Dentro da cabine estavam uma mulher e duas crianças. Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso do elevador. Moradores conseguiram abrir a porta e iniciaram o resgate por conta própria antes da chegada do Samu e do Corpo de Bombeiros.
A mulher foi retirada com ferimentos e reclamando de dores; as crianças tinham ferimentos leves. A administração do condomínio informou que a prioridade foi o atendimento às vítimas e que prestou apoio imediato às famílias. O condomínio afirmou que problemas técnicos nos elevadores são registrados desde a entrega do empreendimento e que, diante da falta de solução, acionou a Justiça para pedir a substituição dos equipamentos.



