Falsa advogada é presa em Teresina em operação contra núcleo político do Comando Vermelho
Falsa advogada presa em operação contra Comando Vermelho no AM

Mulher é detida no Piauí por atuar ilegalmente como advogada em esquema milionário da facção criminosa

A Polícia Civil do Piauí prendeu na última sexta-feira (20) uma mulher de 42 anos suspeita de atuar como falsa advogada em um sofisticado esquema ligado ao Comando Vermelho no Amazonas. Lucila Meireles Costa foi capturada em Teresina, onde residia há aproximadamente um ano, durante a Operação Erga Omnes, que investiga uma organização criminosa com ramificações políticas e atuação voltada ao narcotráfico.

Esquema com acesso aos três poderes

De acordo com as investigações, o grupo criminoso mantinha um "núcleo político" com acesso facilitado aos três poderes no estado do Amazonas - Executivo, Legislativo e Judiciário. A estrutura teria como objetivo principal facilitar o tráfico de drogas em larga escala, utilizando empresas de fachada nos setores de transporte e logística para movimentar entorpecentes.

O relatório policial detalha que a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano. Desse total, cerca de R$ 1,5 milhão teria sido direcionado especificamente para fortalecer a estrutura da facção.

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Papel da falsa advogada no esquema

Lucila Meireles Costa, que já trabalhou como assistente parlamentar na Câmara Municipal de Manaus até 2024, é investigada por se passar por advogada e corromper servidores do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). Seu objetivo seria obter informações sigilosas de processos criminais para monitorar a situação de investigados e mantê-los colaborativos com a organização criminosa.

"O referido vazamento de informações sigilosas tinha como objetivo monitorar a situação criminal de um investigado, para que este se mantivesse calmo e colaborasse com os objetivos do crime organizado", afirma trecho do relatório policial obtido pela investigação.

Interceptações revelam métodos

Conversas interceptadas pela polícia mostram Lucila e uma sócia - que é advogada de fato - planejando, sob ordens de um homem apontado como traficante, o pagamento de propina a um servidor do TJ-AM. O objetivo era conseguir dados de um processo criminal específico.

Em áudios obtidos pelas autoridades, o suposto líder do esquema tranquiliza um comparsa afirmando que Lucila e a sócia "foram até o Ministério Público através de um conhecido lá dentro e protocolaram um Habeas Corpus preventivo". Ele ainda destacou que a falsa advogaria atualizaria o andamento do pedido e que não faziam um "trabalho amador".

Histórico e conexões políticas

A investigação revela que Lucila tinha acesso facilitado à Assembleia Legislativa do Amazonas e à Câmara Municipal de Manaus, onde ocupou cargo de assistente parlamentar. Este não é seu primeiro envolvimento com exercício ilegal da profissão - em 2016, já havia um boletim de ocorrência contra ela por prática similar.

Segundo o delegado Tales Gomes, responsável pelo caso, a mulher pode responder por múltiplos crimes incluindo:

  • Organização criminosa
  • Associação para o tráfico de drogas
  • Corrupção ativa e passiva
  • Violação de sigilo funcional
  • Lavagem de dinheiro
  • Ocultação de patrimônio

Rede criminosa ampla

Além de Lucila, a operação tem como alvos um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas e ex-assessores de três vereadores. A investigação aponta que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada que, na prática, eram usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.

O esquema demonstra a sofisticação da atuação do crime organizado, que busca infiltrar-se nas estruturas do Estado para garantir impunidade e expandir suas operações ilícitas em escala nacional.

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