Exumação em Franca busca esclarecer morte suspeita de orientadora educacional
Peritos do Instituto Médico Legal (IML) de São Paulo realizaram nesta quarta-feira (11) a exumação do corpo da orientadora educacional Tatiane Cintra dos Santos Cardozo, de 42 anos, no Cemitério Jardim das Oliveiras em Franca, interior paulista. A Polícia Civil suspeita que a morte ocorrida em abril de 2025 tenha sido causada por envenenamento.
Coleta de material para análise laboratorial
Os trabalhos periciais duraram aproximadamente 20 minutos e resultaram na coleta de partes das vísceras, rim, fígado, baço e vestígios de sangue. Segundo o delegado responsável pelo caso, Davi Abmael Davi, o material será encaminhado para análise laboratorial.
"Vai ser encaminhado ao laboratório e vamos aguardar a decisão laboratorial para ver se realmente havia alguma outra substância anormal no corpo que pudesse ter ocasionado a morte dela", afirmou o delegado.
Histórico de pedidos e autorização judicial
A Polícia Civil já havia solicitado a exumação logo após a morte de Tatiane, mas o IML de Franca alegou na época que o corpo havia recebido tratamento químico para sepultamento, o que prejudicaria a análise. Com o surgimento de novos elementos que reforçaram a suspeita de envenenamento nos últimos meses, a polícia obteve autorização judicial na última semana para realizar o procedimento.
"A expectativa em relação a essa exumação é muito grande, porque é uma prova muito efetiva, muito contundente", destacou o delegado Davi. "Existe uma grande expectativa para darmos uma solução para a morte dessa jovem, que está numa situação muito estranha."
Circunstâncias da morte e relação conjugal
Tatiane faleceu no dia 20 de abril de 2025 após um churrasco em sua residência. Segundo relatos da filha mais velha, ela encontrou o pai, William Ferreira Cardoso, sentado na base da escada chorando desesperadamente. Ao chegar ao quarto, encontrou a mãe deitada na cama com indícios de vômito no travesseiro e sem pulso.
A jovem tentou reanimação cardíaca sem sucesso e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou o óbito ao chegar ao local. O laudo inicial do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) apontou hepatomegalia (inchaço anormal do fígado), o que motivou a abertura de inquérito policial.
Sintomas anteriores e relação conturbada
De acordo com familiares, Tatiane apresentou nos dias anteriores à morte sintomas como:
- Vômitos frequentes
- Crises de diarreia
- Cansaço excessivo
- Dores de cabeça intensas
A irmã da vítima, Fabiana Cintra dos Dantos Barros, relatou que Tatiane atribuía os sintomas à sobrecarga no trabalho. "A gente percebia que ela começou a ficar aérea", afirmou.
A investigação apurou que Tatiane mantinha uma relação conjugal conturbada com William Ferreira Cardoso. O casal havia reatado há aproximadamente dois anos após separação motivada por traição do marido. A família era contra a reconciliação devido ao comportamento abusivo de William e porque ele não havia terminado definitivamente o relacionamento extraconjugal.
Defesa do marido e andamento do caso
A advogada de William, Letícia Antinori, acompanhou a exumação e afirmou que seu cliente colabora com as investigações. "Até o momento, estamos colaborando com as investigações. Acreditamos na inocência do William e estamos acreditando no trabalho da perícia, da Polícia Civil, do Ministério Público. Vamos confiar que a justiça será feita da melhor maneira pra todos", declarou.
O caso continua sendo tratado como morte a esclarecer e não há prazo definido para a conclusão do laudo pericial. A Polícia Civil aguarda os resultados das análises laboratoriais para determinar as causas exatas do óbito e possíveis encaminhamentos jurídicos.



