Proprietários de academia onde professora morreu prestam depoimento à polícia em SP
Donos de academia onde mulher morreu prestam depoimento em SP

Proprietários de academia onde professora morreu prestam depoimento à polícia em SP

Os três donos da academia C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, compareceram nesta quarta-feira (11) à sede do 42º Distrito Policial para prestar depoimento sobre a morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos. O falecimento ocorreu no último sábado (7), após ela passar mal durante uma aula de natação no estabelecimento.

Os sócios Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração chegaram ao final da tarde acompanhados por dois advogados e foram ouvidos pelo delegado Alexandre Bento, responsável pela investigação. A principal linha de apuração das autoridades indica que a manipulação inadequada de produtos químicos na piscina, em um ambiente fechado e com pouca ventilação, pode ter liberado gases tóxicos que intoxicaram várias pessoas.

Indícios apontam para responsabilidade dos proprietários

Segundo o delegado, existem fortes indícios de que o manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários sobre o uso de substâncias químicas na piscina, mesmo sem possuir qualificação técnica para realizar tal trabalho. O funcionário afirmou à polícia que seguia ordens enviadas por WhatsApp por um dos sócios.

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Testemunhas e imagens de câmeras de segurança mostram um homem manuseando um balde com produtos químicos ao lado da piscina enquanto alunos ainda estavam na água. A mistura teria sido deixada próxima à área aguardando o fim da aula para ser jogada na água, que estava turva na ocasião.

Histórico de problemas no tratamento da água

Um ex-professor de natação da academia, Thygo Araújo, que trabalhou no local durante três meses em 2024, relatou à TV Globo que já observou problemas recorrentes no tratamento da água da piscina. Ele descreveu que era comum sentir irritação na pele, ardência no nariz, tosse e dificuldade para respirar devido ao cheiro forte de substâncias químicas.

"Já teve alguns momentos que a gente estava dando aula e sentia desconforto na pele, tipo pinicadas, e um cheiro diferente que dava ardência no nariz e tosse", afirmou Araújo. Ele revelou que em uma ocasião específica, as aulas tiveram que ser interrompidas porque um dos proprietários fez uma mistura errada de produtos e jogou na piscina das crianças, criando um odor insuportável que obrigou a evacuação do local.

Vítimas e consequências da intoxicação

Além da professora Juliana, que faleceu horas depois de ser atendida no Hospital Santa Helena em Santo André, outras seis pessoas relataram sintomas de intoxicação ou precisaram de atendimento médico:

  • Vinicius de Oliveira, marido de Juliana: internado em estado grave na UTI com insuficiência respiratória
  • Adolescente de 14 anos: internado em estado grave na UTI
  • Aluna de 29 anos: internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia
  • Aluno internado em leito comum
  • Duas outras vítimas que procuraram atendimento ou relataram sintomas

Irregularidades no estabelecimento

A unidade da C4 Gym foi interditada e lacrada pela Vigilância Sanitária e pela Subprefeitura da Vila Prudente. Investigações revelaram que o estabelecimento não possuía alvará de funcionamento, apresentava instalações elétricas precárias e operava com dois CNPJs vinculados ao mesmo endereço.

Mães de ex-alunos relataram problemas respiratórios em crianças desde abril de 2024 devido ao cheiro forte de produtos químicos. Uma mãe afirmou que o maiô da filha chegou a desbotar totalmente após uma aula e que o odor era "insuportável" e "meio ácido". Outra criança desenvolveu crises de tosse e bronquiolite, o que forçou o cancelamento da matrícula.

Posicionamentos e investigações em andamento

A direção da C4 Gym emitiu uma nota afirmando que "prestou imediato atendimento a todos os envolvidos" e que está colaborando com as autoridades. Sobre as queixas de 2024, alegou que houve um reparo na máquina de ozônio na época.

O pai de Juliana, Ângelo Augusto Bassetto, fez um emocionado apelo por justiça: "Essa justiça deve ser feita não para termos de valor... é para não acontecer com mais ninguém". Ele relatou que a médica informou que o produto "queimou muito ela por dentro".

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A polícia apreendeu amostras dos produtos químicos utilizados, mas ainda busca identificar a composição exata e a proporção da mistura. As causas precisas da morte aguardam a conclusão dos laudos periciais e necroscópicos. As autoridades também investigam possível omissão de socorro, já que os responsáveis fecharam o local e não informaram as autoridades imediatamente após o incidente.

O caso segue sob investigação no 42º Distrito Policial do Parque São Lucas, com a polícia coletando provas e ouvindo testemunhas para esclarecer todas as circunstâncias que levaram à tragédia.