Academia de SP: dono orientou manobrista por WhatsApp sobre produtos químicos em piscina fatal
Dono de academia orientou manobrista por WhatsApp sobre piscina fatal

Dono de academia orientou manobrista por WhatsApp sobre produtos químicos em piscina onde professora morreu

Um dos sócios da academia C4 Gym, localizada na Zona Leste de São Paulo, onde uma mulher faleceu após uma aula de natação, orientava o funcionário responsável pela aplicação de produtos químicos na piscina através de mensagens no WhatsApp. As trocas de mensagens, às quais a TV Globo teve acesso, revelam que Celso Bertolo Cruz dava instruções diretas ao manobrista Severino José da Silva, com frases como "Joga mais 6" e "Joga 2", às quais o funcionário respondia com um simples "Ok".

Apagamento de mensagens e depoimento à polícia

Em depoimento à Polícia Civil, Celso Bertolo Cruz admitiu ter apagado as mensagens enviadas a Severino, alegando que agiu "sem pensar" ao saber da morte da aluna Juliana Bassetto, de 27 anos. Ele se apresentou como o responsável técnico pela manutenção da piscina, afirmando que a comunicação continha "tratativas normais", como indicações de medidas e dosagens de cloro para aplicação na água. No entanto, Severino exercia a função sem possuir qualificação técnica, recebendo orientação exclusivamente por meio do aplicativo de mensagens.

Indiciamento por homicídio com dolo eventual

Celso Bertolo Cruz e mais dois sócios da academia, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração, foram indiciados na quarta-feira (11) por homicídio com dolo eventual. A Justiça analisa atualmente o pedido de prisão feito pela Polícia Civil. As autoridades suspeitam que a manipulação inadequada de produtos químicos, realizada próximo à área de aula em um ambiente fechado e com pouca ventilação, tenha provocado a liberação de gases tóxicos, levando à morte da professora.

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Detalhes das operações e histórico de problemas

O manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, contou em depoimento que fazia a mistura dos produtos e enviava fotos para o chefe via WhatsApp. Imagens do circuito interno da academia mostram o momento em que Severino manipula os produtos químicos, com uma fumaça branca saindo de um balde próximo à piscina onde Juliana e seu marido estavam nadando. Celso afirmou ter certificado para manutenção de piscinas desde 2023, permitindo que ele supervisionasse terceiros, mas não o habilitando a formar piscineiros.

Antes de obter a formação, não havia responsável técnico pela piscina, e o próprio Celso realizava a aplicação dos produtos. Após a certificação, passou a supervisionar Severino. O sócio também confirmou um episódio anterior, no início de 2025, em que a piscina foi tomada por uma densa camada de espuma, exigindo a interrupção das aulas por alguns dias e a contratação de uma empresa especializada. A academia optou por não renovar o contrato e manteve Celso como responsável técnico.

Reações e defesas dos envolvidos

Celso Bertolo Cruz disse à polícia que considerava a piscina de "extrema confiança", mencionando que seus próprios filhos fazem aulas de natação no local. Ele defendeu que os problemas sempre foram "pontuais" e nunca nocivos à saúde. No entanto, após o incidente fatal, Severino relatou ter recebido uma ligação de Celso alertando sobre as investigações: "Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo".

Os outros sócios, responsáveis pela gestão comercial e administrativa, confirmaram que foi Celso quem treinou Severino para cuidar da água da piscina. O cloro usado era armazenado diluído em um tonel azul ou em pó na embalagem própria. As investigações continuam, com foco na possível negligência que resultou na tragédia.

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