Desembargador aposentado é preso em Manaus por estupro da neta após condenação de 45 anos
Desembargador preso em Manaus por estuprar neta após 45 anos

Desembargador aposentado é preso em Manaus após condenação por estuprar neta

O desembargador aposentado Rafael de Araújo Romano se entregou à polícia em Manaus nesta sexta-feira (20), após a Justiça determinar sua prisão na quarta-feira (18). A decisão ocorreu após o trânsito em julgado da sentença que o condenou a 45 anos de prisão, em 2020, pelo crime de estupro contra a própria neta.

Mãe da vítima celebra prisão como vitória coletiva

Em entrevista exclusiva à Rede Amazônica, a mãe da vítima definiu a prisão como uma "vitória de muitas meninas". "Essa foi uma vitória não só da Maria, mas de muitas meninas que passam pelo que ela passou e de muitas outras vozes que são caladas", afirmou emocionada.

Ela destacou que a condenação encerra um processo que durou oito anos, marcado por questionamentos à palavra da filha. "Durante todo esse tempo minha filha foi chamada de mentirosa. Hoje não existe mais dúvida de que ela estava dizendo a verdade. A justiça foi feita", declarou.

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Críticas ao histórico profissional do condenado

A mãe também criticou o fato de Romano ter ocupado cargos de destaque no Judiciário. "Ele se disfarçou por muito tempo como um homem de Justiça. A gente não pode ter no quadro de desembargadores um homem como esse", afirmou.

Antes da condenação, Rafael Romano atuou como juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Manaus e foi relator da Operação Estocolmo, deflagrada em 2012 pela Polícia Civil para investigar uma rede de exploração sexual de adolescentes na capital amazonense.

Detalhes do caso e revelação dos abusos

Rafael Romano é avô paterno da vítima, que relatou à polícia que os abusos começaram em 2009, quando ela era criança. O último caso ocorreu em 2016, quando a vítima já tinha 14 anos. Segundo os depoimentos, uma tia chegou a presenciar uma situação, mas negou quando questionada sobre os abusos por "sentir vergonha".

O caso veio à tona em 2018, quando a mãe denunciou o crime ao Ministério Público. Ela contou que soube da situação durante uma visita a uma amiga hospitalizada, quando a filha revelou: "Meu avô está me molestando desde que eu era pequena".

Na época, a mãe publicou um texto nas redes sociais descrevendo o ex-sogro como "monstro horroroso" e "pedófilo". "Não tem coisa pior que um pedófilo abusando da sua filha. E pior que isso, um pedófilo que é avô dela, que vivia na minha casa", relatou.

Defesa alega recursos pendentes e problemas de saúde

Em nota, a defesa de Rafael Romano manifestou preocupação com questões jurídicas, afirmando que ainda há recursos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Os advogados argumentam que a prisão foi determinada antes do trânsito em julgado completo, violando o princípio constitucional da presunção de inocência.

O texto também destaca o estado de saúde do condenado, de 80 anos, que sofreu um acidente vascular cerebral recentemente e apresenta complicações neurológicas e cardíacas. Segundo a defesa, Romano perdeu aproximadamente 50% do campo visual, configurando "severa limitação funcional da visão".

Consequências profissionais e medidas administrativas

Em relação à perda do cargo público e possível cassação da aposentadoria, a Justiça informou que caberá aos órgãos competentes adotar as medidas necessárias. Foi determinada apenas a comunicação formal à Procuradoria-Geral do Estado do Amazonas.

A defesa reafirmou confiança nas instituições do Judiciário e disse estar adotando todas as providências jurídicas cabíveis para reverter a decisão, enquanto a família da vítima celebra o desfecho de um longo processo judicial que confirmou a veracidade das denúncias.

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