Justiça condena integrantes de facção por assassinato brutal de adolescente na Paraíba
Em decisão unânime do Conselho de Sentença do Tribunal do Júri de Campina Grande, dois membros de uma organização criminosa foram condenados a mais de vinte anos de prisão pelo assassinato de um adolescente de 16 anos, ocorrido no município de Belém, localizado na região do Brejo da Paraíba. A sentença, proferida nesta quinta-feira (16), representa um marco na repressão à violência organizada na área.
Penas aplicadas e detalhes da condenação
Felipe Marinho Rodrigues recebeu a pena de 23 anos e três meses de reclusão, enquanto José Dayvid Marinho Rodrigues foi condenado a 21 anos e três meses. Ambos cumprirão as penas em regime inicial fechado, conforme determinação judicial que destacou a gravidade extrema do crime. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) havia denunciado os acusados por homicídio qualificado, com base em investigações minuciosas.
Os condenados são identificados como integrantes da facção criminosa conhecida como "Okaida", enquanto a vítima, Adelmo Alves Caetano, fazia parte de um grupo rival. Essa dinâmica de confronto entre organizações ilícitas foi apontada como motivação central para o crime, caracterizando-o como uma execução premeditada e violenta.
Circunstâncias do crime e investigação policial
O adolescente foi morto de forma especialmente cruel, sendo esfaqueado no pescoço e atingido por múltiplos disparos de arma de fogo. O local do crime, nas proximidades do cemitério de Belém, foi escolhido estrategicamente, dificultando qualquer possibilidade de defesa ou fuga da vítima. As investigações revelaram que o jovem estava envolvido com o tráfico de drogas e possuía ligações com facções da região.
Segundo apurou a polícia, Adelmo Alves Caetano estaria em processo de mudança para outra facção criminosa, o que teria desencadeado a retaliação fatal. A ação foi planejada meticulosamente, evidenciando a premeditação que levou à qualificação do homicídio.
Fundamentação da sentença e comportamento dos réus
O Conselho de Sentença rejeitou integralmente as alegações da defesa e aceitou todas as qualificadoras apresentadas pelo MPPB, reconhecendo a materialidade e autoria do crime. O juízo enfatizou a alta reprovabilidade social da conduta, considerando o envolvimento dos réus com a criminalidade organizada e o caráter premeditado da ação.
A sentença também destacou o comportamento "desajustado e pernicioso à paz pública" dos condenados, que utilizavam redes sociais para ostentar armas, consumir drogas e se vangloriar de execuções. Esse histórico foi considerado agravante na fixação das penas, refletindo a periculosidade dos indivíduos.
Impacto social e jurídico da decisão
Esta condenação reforça o compromisso do sistema de justiça paraibano no combate à violência associada às facções criminosas, especialmente em crimes que vitimam jovens. A decisão serve como alerta sobre os perigos do envolvimento com organizações ilícitas e a escalada de violência que caracteriza seus conflitos.
O caso, que chocou a comunidade de Belém e região, agora encontra um desfecho jurídico que busca justiça para a família da vítima e demonstra a eficácia das investigações policiais e do trabalho ministerial em crimes de grande complexidade.



