Medellín inicia construção da primeira megaprisão da Colômbia com inspiração no modelo salvadorenho
A cidade de Medellín, na Colômbia, está avançando na construção da primeira megaprisão do país, um projeto inspirado diretamente no modelo de prisão de segurança máxima implementado pelo presidente Nayib Bukele em El Salvador. A prefeitura da cidade confirmou os detalhes da iniciativa, que visa enfrentar a criminalidade em uma região historicamente marcada pela violência.
Capacidade e medidas de controle rigorosas
Segundo Frederico Gutiérrez, prefeito de Medellín, a nova prisão terá capacidade para abrigar mais de 1.300 detentos, sob rígidas medidas de controle. Gutiérrez, que lidera a segunda maior cidade da Colômbia, destacou que o local será financiado com recursos públicos e privados, com previsão de conclusão para o ano de 2027.
O projeto é baseado no Cecot (Centro de Confinamento do Terrorismo), a famosa prisão de segurança máxima de El Salvador, que tem sido alvo de denúncias por parte de grupos de direitos humanos devido a supostos abusos contra os presos. A Colômbia se junta assim a outros países latino-americanos, como Equador e Costa Rica, que também estão investindo em construções similares.
Visita do prefeito e detalhes operacionais
Na quinta-feira (19), o prefeito Gutiérrez visitou o canteiro de obras onde operários trabalham na construção da megaprisão. Ele assegurou que o centro não será vigiado por funcionários da autoridade penitenciária nacional, mas sim por uma equipe de segurança própria, reforçando o controle interno.
"A ideia é que as pessoas detidas fiquem privadas de muitos privilégios", afirmou Gutiérrez à imprensa. Ele também ressaltou que a prisão contará com sistemas tecnológicos avançados para impedir as comunicações dos detentos, uma medida crucial, já que uma das modalidades de extorsão mais comuns no país é operada de dentro das cadeias.
Contexto político e segurança em debate
A construção da megaprisão ocorre em um momento em que a segurança está no centro do debate da campanha presidencial colombiana, com eleições marcadas para 31 de maio. Medellín, que já foi uma das cidades mais violentas do mundo antes da morte do narcotraficante Pablo Escobar em 1993, ainda abriga poderosos grupos criminosos.
Os favoritos nas pesquisas eleitorais incluem o senador de esquerda Iván Cepeda, um dos idealizadores da política de paz do presidente Gustavo Petro, e o advogado de direita Abelardo de la Espriella. Este último, que conta com o apoio do partido do prefeito de Medellín, propõe construir megaprisões nas quais os presos estejam a "dez andares abaixo da terra", alimentados "com pão e água".
Influência internacional e colaborações
Recentemente, o presidente eleito do Chile, o ultradireitista José Antonio Kast, visitou o Cecot em El Salvador e pediu a Bukele "colaboração" para "melhorar" o sistema penitenciário de seu país. Isso demonstra como o modelo salvadorenho está influenciando políticas de segurança em toda a América Latina.
A construção da megaprisão em Medellín representa um passo significativo na estratégia de segurança da Colômbia, mas também levanta questões importantes sobre direitos humanos e a eficácia de medidas extremas no combate ao crime.



