Chacina do DF: Réus Algemados Encerram Interrogatórios em Julgamento Histórico
Chacina do DF: Réus Algemados Encerram Interrogatórios

Chacina do DF: Réus Algemados Encerram Interrogatórios em Julgamento Histórico

A fase de instrução do julgamento da maior chacina da história do Distrito Federal foi encerrada nesta quarta-feira (15), com os cinco réus acompanhando os procedimentos algemados. Após os interrogatórios de Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa – que optou pelo silêncio –, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva, o júri avança para os debates entre acusação e defesa, etapa que deve durar mais de nove horas devido ao número de acusados.

As Versões dos Réus: Negativas, Acidentes e Confissões

Carlos Henrique Alves da Silva, último a ser ouvido, afirmou ao júri que não participou dos homicídios e sequestros, admitindo apenas um roubo. Ele relatou que foi apresentado a Gideon e Horácio por Carlomam, com o plano de assaltar Thiago Belchior para acessar aplicativos bancários. Carlos disse ter recebido R$ 2 mil de um total prometido de R$ 5 mil, deixando o local com Thiago ainda vivo e sob responsabilidade de Carlomam. “Eu nunca tirei uma vida, meritíssimo. Eu nunca colaborei para tirar a vida de alguém que eu nem conhecia”, declarou.

Carlomam dos Santos Nogueira, um dos acusados de matar 10 pessoas da mesma família, incluindo três crianças, disse que atirou em uma das vítimas, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, “sem querer” durante um embate, mesmo com a vítima já rendida. Ele também mencionou uma conversa com Fabrício Canhedo sobre “uma fita para eles ganharem dinheiro” em meio a uma crise financeira.

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Os depoimentos dos três primeiros réus foram radicalmente diferentes:

  • Gideon Menezes afirmou ser vítima, alegando ter sido amarrado nos primeiros dias e coagido a participar.
  • Horácio Barbosa recorreu ao direito constitucional de permanecer em silêncio. Sua defesa, em nota, disse que os crimes são inegáveis, mas o Ministério Público não comprovou a autoria.
  • Fabrício Canhedo confessou participação, implicou os outros réus e chorou ao pedir perdão aos familiares, justificando que agiu por dinheiro para a cirurgia do filho.

A Denúncia: Um Plano Cruel e Coordenado

A investigação classificou o crime como um “plano cruel e torpe”, com atuação coordenada, funções definidas e violência extrema ao longo de semanas. Segundo o Ministério Público do DF, a cronologia inclui:

  1. Outubro de 2022: Associação para cometer crimes.
  2. 27 de dezembro de 2022: Rendição de Marcos Antônio, Renata Juliene e Gabriela Belchior; roubo de R$ 49 mil; morte e esquartejamento de Marcos.
  3. 28 de dezembro em diante: Cativeiro de Renata e Gabriela; Fabrício assume vigilância; uso de celulares das vítimas para enviar mensagens e preparar novas abordagens.
  4. 2 a 4 de janeiro de 2023: Rendição de Cláudia Regina e Ana Beatriz Marques de Oliveira; roubo de bens e cativeiro.
  5. 12 de janeiro de 2023: Sequestro de Thiago Gabriel Belchior com ajuda de Carlos Henrique.
  6. 12 e 13 de janeiro: Atração de Elizamar e os três filhos (Rafael, Rafaela e Gabriel) até a chácara; morte por estrangulamento e incêndio do carro com os corpos em Cristalina (GO).
  7. 14 de janeiro: Morte por estrangulamento e queima dos corpos de Renata e Gabriela em Unaí (MG).
  8. 15 de janeiro: Assassinato a golpes de faca de Cláudia, Ana Beatriz e Thiago em cisterna em Planaltina.
  9. 16 de janeiro: Tentativa de destruição de provas, com queima de objetos e alteração do cativeiro.

Os crimes apontados na denúncia incluem homicídios qualificados (12 a 30 anos de prisão), extorsão, roubo, sequestro, constrangimento ilegal, fraude processual, corrupção de menores e ocultação de cadáver.

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Próximos Passos do Julgamento

Com o fim dos interrogatórios, o júri inicia a fase dos debates, que deve ser extensa devido à complexidade do caso. A decisão dos jurados será tomada após essa etapa, marcando um capítulo crucial na justiça do Distrito Federal. O caso, que chocou o país pela brutalidade e número de vítimas, continua a ser acompanhado de perto por familiares e pela sociedade.