Estudantes do IFSUL são suspensos por criar ranking sexual ofensivo no Rio Grande do Sul
Alunos do IFSUL suspensos por ranking sexual ofensivo no RS

Estudantes do IFSUL são suspensos por criar ranking sexual ofensivo no Rio Grande do Sul

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul está investigando oito alunos do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSUL), localizado em Pelotas, pela criação e compartilhamento de uma lista com conteúdo de cunho sexual sobre colegas da instituição. O caso, que veio à tona no último fim de semana, já resultou no afastamento dos estudantes, que têm entre 15 e 16 anos, e em cinco registros de boletim de ocorrência por parte das vítimas.

Investigação policial e medidas legais

O primeiro registro foi feito no domingo (22), quando os responsáveis por uma das vítimas procuraram a polícia. Segundo a delegada Lisiane Matarredona, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente, outros quatro registros foram efetuados posteriormente. A polícia trata o caso como ato infracional análogo aos crimes de cyberbullying, uso indevido de imagem e crimes contra a honra.

Os oito suspeitos, por serem adolescentes, responderão por ato infracional e serão interrogados na presença dos seus responsáveis. As vítimas, por sua vez, serão ouvidas em depoimento especial por uma equipe técnica com psicólogo e assistente social. "Nosso primeiro contato é com os familiares, com o responsável por essa vítima", explica a delegada Lisiane.

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Os próximos passos da investigação incluem ouvir mais possíveis vítimas e testemunhas para, ao final, interrogar os adolescentes. Se indiciados, o caso segue à Promotoria de Atos Infracionais, do Ministério Público. "Eles poderão receber uma medida socioeducativa", pontua a delegada.

Conteúdo ofensivo e impacto nas vítimas

O material, compartilhado em um grupo de rede social e por aplicativos de mensagens, continha um "ranking" com imagens não autorizadas, classificações ofensivas e comentários depreciativos. De acordo com a investigação, a lista citava 29 meninas e um menino. "Até o momento, são cinco vítimas, mas nós sabemos que foi usada a imagem de mais pessoas. Nos colocamos à disposição para que procurem a Delegacia da Criança e Adolescente e efetuem o seu registro", afirma a delegada.

A mãe de uma das vítimas, que não quis se identificar, relatou que a exposição gerou constrangimento, humilhação e abalo emocional significativo. O impacto psicológico do caso tem sido uma preocupação central das autoridades e da instituição de ensino.

Posicionamento do IFSUL e medidas institucionais

A reitoria do IFSUL informou que os oito alunos foram suspensos e que o caso está sendo tratado como assédio. A instituição afirmou que as 30 alunas citadas na lista devem receber atendimento com psicólogos e assistentes sociais nos próximos dias. Segundo a vice-reitora, Lia Nelson, o IFSUL aguarda orientação das autoridades sobre como proceder.

Está prevista uma reunião com a Promotoria da Infância e Juventude, do Ministério Público, e orientações com a Delegacia da Mulher, da Polícia Civil. A instituição também declarou que está preparando ações pedagógicas de conscientização sobre o problema para todos os estudantes.

Em nota oficial, a reitoria do IFSUL manifestou: "A Reitoria e a Direção-Geral do Câmpus Pelotas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-rio-grandense (IFSUL) manifestam seu mais veemente repúdio a qualquer forma de assédio, seja virtual ou presencial, especialmente quando envolve membros da comunidade acadêmica. O episódio que atinge estudantes desta instituição está sendo tratado com a máxima seriedade."

O comunicado ainda reforça: "Assim que tomou conhecimento dos fatos, a Direção-geral do Campus Pelotas, em conjunto com a Reitoria do Instituto, deu início à implementação de medidas para apurar os fatos e, se necessário, encaminhar o caso às autoridades competentes. A comunidade pode estar segura de que não serão poupados esforços para garantir a transparência e a integridade deste processo."

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A instituição reafirmou seu compromisso com a defesa da dignidade humana, do respeito mútuo e da integridade de todos os estudantes, servidores e familiares, destacando especialmente a proteção das mulheres e a garantia de um ambiente livre de discriminação e violência de gênero.