Mark Zuckerberg depõe em julgamento histórico sobre vício de jovens em redes sociais
Zuckerberg depõe em julgamento sobre vício em redes sociais

Mark Zuckerberg depõe em julgamento histórico sobre vício de jovens em redes sociais

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, em um julgamento histórico nos Estados Unidos que investiga os efeitos das redes sociais na saúde mental de jovens. O processo, que ocorre na Califórnia, tem como base alegações de que o Instagram e outras plataformas foram deliberadamente projetados para tornar os usuários dependentes.

Processo pode estabelecer precedente legal

O depoimento de Zuckerberg é considerado o mais aguardado no julgamento conduzido pela juíza Carolyn Kuhl em Los Angeles. Este é o primeiro de uma série de casos que podem estabelecer um precedente legal para milhares de processos movidos contra as principais plataformas de redes sociais nos Estados Unidos.

A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada como Kaley G.M., que afirma ter desenvolvido graves danos psicológicos após se tornar dependente das redes sociais ainda na infância. Inicialmente, o caso envolvia quatro plataformas, mas Snapchat e TikTok fecharam acordos extrajudiciais com a família da autora antes do início do julgamento, deixando a ação.

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Acusações de projeto deliberado para vício

Os réus que permanecem no banco dos réus são a Meta Platforms, controladora do Instagram, e a Alphabet, dona do Google e do YouTube. Os 12 jurados em Los Angeles ouvirão depoimentos até o final de março para decidir se essas plataformas têm responsabilidade pelos problemas de saúde mental sofridos pelos jovens.

Na abertura do julgamento, o advogado dos demandantes, Mark Lanier, acusou as empresas de terem criado plataformas com o objetivo consciente de estimular o vício. Segundo ele, documentos internos do Google e da Meta indicam que o engajamento excessivo, especialmente entre jovens, era parte central do modelo de negócios.

Lanier comparou a estratégia das big techs à adotada pela indústria do tabaco nas décadas de 1990 e 2000. Entre as provas estão apresentações internas que mencionam o "vício dos internautas" como objetivo, além de um e-mail atribuído a Zuckerberg no qual ele teria cobrado ações para recuperar o engajamento de usuários jovens no Instagram.

Terminologia e depoimentos controversos

O chefe do Instagram, Adam Mosseri, foi o primeiro executivo do Vale do Silício a depor, em 11 de fevereiro. Ele disse aos jurados que rejeitava o conceito de "dependência" em redes sociais e preferia falar em "uso problemático", terminologia adotada pela Meta.

"Tenho certeza de que já disse que era viciado em uma série da Netflix quando a assisti até muito tarde da noite, mas não acho que isso seja o mesmo que dependência clínica", afirmou Mosseri durante seu depoimento.

No dia anterior, os advogados da denunciante convocaram a psiquiatra Anna Lembke para depor sobre como as redes sociais podem funcionar como uma "porta de entrada" para jovens, reconfigurando seus cérebros ainda em desenvolvimento para comportamentos de dependentes.

Impacto global e legislações em discussão

O tema é alvo de discussões também em outras partes do mundo, com diversos países considerando ou implementando restrições ao acesso de menores às redes sociais:

  • Austrália foi a primeira nação a aprovar lei nacional que proíbe menores de 16 anos de terem contas em redes sociais
  • França aprovou lei que proíbe redes sociais para menores de 15 anos
  • Espanha anunciou que pretende adotar limite de 16 anos com sistemas de verificação de idade
  • Dinamarca fechou acordo político para restringir acesso de menores de 15 anos
  • Alemanha passou a discutir formalmente possibilidade de proibir uso por menores de 16 anos

Em paralelo, a União Europeia acusou o TikTok de violar as leis digitais do bloco ao empregar intencionalmente recursos considerados "viciantes" em seu aplicativo. O órgão determinou que a plataforma altere seu design na Europa ou estará sujeita a multa que pode chegar a 6% de seu faturamento global.

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Consequências potenciais do julgamento

O caso é visto como um processo indicativo, capaz de abrir precedente jurídico para centenas de ações semelhantes nos Estados Unidos. Se o júri reconhecer a responsabilidade civil das empresas pelo design e pelos algoritmos de suas plataformas — e não apenas pelo conteúdo publicado por usuários —, a decisão poderá redefinir os limites da proteção legal das redes sociais e influenciar litígios em todo o país.

Os procedimentos em Los Angeles ocorrem em paralelo a um caso semelhante em nível nacional perante um juiz federal em Oakland, Califórnia, o que pode resultar em outro julgamento em 2026. A Meta também enfrenta um julgamento este mês no Novo México, onde os promotores acusam a empresa de priorizar o lucro em detrimento da proteção de crianças contra pedófilos.