Polícia britânica investiga uso de aeroportos no tráfico ligado a Epstein
Polícia britânica investiga aeroportos no caso Epstein

Polícia britânica investiga uso de aeroportos no tráfico ligado a Epstein

A polícia britânica anunciou nesta sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026, que está conduzindo uma investigação para determinar se aeroportos do Reino Unido foram utilizados para facilitar o tráfico de pessoas e a exploração sexual relacionados ao caso do criminoso sexual Jeffrey Epstein. A apuração ganhou impulso após a divulgação de milhões de documentos judiciais pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que sugerem possíveis conexões com infraestrutura aeroportuária britânica.

Documentos revelam menções a aeroportos londrinos

Em comunicado oficial, as autoridades policiais afirmaram: "Estamos cientes da sugestão de que aeroportos de Londres possam ter sido usados para facilitar o tráfico de pessoas e a exploração sexual. Estamos avaliando essas informações e buscando ativamente mais detalhes junto a parceiros das forças de segurança, incluindo nos Estados Unidos". O Aeroporto de Stansted, localizado em Londres, aparece mencionado em mais de 80 documentos nos arquivos relacionados ao caso Epstein, indicando um possível padrão de utilização dessa infraestrutura para atividades criminosas.

Investigação se amplia após prisão do ex-príncipe Andrew

A investigação ganhou novos contornos após a prisão do ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Charles III, na quinta-feira anterior ao anúncio. Andrew foi detido pela polícia do Reino Unido em meio a investigações de má conduta no exercício de cargo público, que envolvem possíveis ligações com Jeffrey Epstein. A polícia britânica anunciou que está "identificando e entrando em contato com ex-agentes e agentes que possam ter trabalhado de perto na proteção de Andrew" para saber se eles "viram ou ouviram" qualquer informação relevante para as investigações.

A detenção de Andrew, que durou aproximadamente 11 horas antes de ele ser liberado sem acusação formal, destacou um dos crimes mais severos do ordenamento jurídico britânico. A má conduta em cargo público é um crime de common law que, em teoria, pode levar à prisão perpétua, conforme explicado pelo Crown Prosecution Service (CPS), órgão responsável por autorizar acusações criminais na Inglaterra e no País de Gales.

Pedido de reexame urgente por ex-primeiro-ministro

Na semana anterior ao anúncio da investigação, o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown fez um apelo público para que a Polícia Metropolitana de Londres reexaminasse "com urgência" as alegações de que vítimas de Epstein foram traficadas para o Reino Unido em voos privados. Brown argumentou que os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram um rastro documental de vistos, pagamentos e registros de transporte que sugerem que mulheres e meninas foram traficadas ao redor do mundo.

"Entre os muitos aspectos que deveriam causar indignação em qualquer pessoa que examine os e-mails está o fato de que 15 desses voos receberam autorização após sua condenação, em 2008, por solicitação de sexo a uma menor. Deveria ter havido uma investigação completa sobre como esses voos continuaram", escreveu Brown em referência aos voos que utilizavam aeroportos do Reino Unido.

Documentos sugerem compartilhamento de informações confidenciais

As mensagens divulgadas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos também sugerem que Andrew teria compartilhado relatórios de visitas oficiais a países como Hong Kong, Vietnã e Singapura, além de um suposto documento confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão. Essas revelações ampliam o escopo das investigações sobre possíveis abusos de poder e conexões com redes criminosas.

A investigação da polícia britânica representa um desenvolvimento significativo no caso Epstein, que continua a gerar repercussões internacionais anos após a morte do criminoso sexual. As autoridades afirmam que manterão a colaboração com parceiros de segurança internacionais para esclarecer completamente as alegações sobre o uso de aeroportos britânicos para atividades de tráfico humano.