Polícia descobre esquema de fraudes no Museu do Louvre que causou prejuízo milionário
Fraudes no Louvre: esquema causou prejuízo de mais de 10 milhões de euros

Esquema de fraudes no Louvre causa prejuízo superior a 10 milhões de euros em uma década

A polícia francesa desvendou um sofisticado esquema de fraudes no Museu do Louvre que pode ter causado prejuízos superiores a 10 milhões de euros ao longo dos últimos dez anos. A investigação, que envolve nove suspeitos, revelou uma rede criminosa especializada no desvio e reutilização ilegal de ingressos do museu mais visitado do mundo.

Administrador do Louvre defende que fraudes são 'estatisticamente inevitáveis'

Em entrevista exclusiva à Associated Press, Kim Pham, administrador-geral do Louvre, reconheceu a vulnerabilidade da instituição a esse tipo de problema. "Qual museu no mundo, com nível semelhante de público, não enfrentaria episódios de fraude em algum momento?", questionou o responsável pelas operações diárias do museu.

Pham destacou os desafios logísticos de administrar um espaço de 86 mil metros quadrados, com aproximadamente 35 mil obras expostas e cerca de 9 milhões de visitantes anuais. Segundo ele, a dimensão única do Louvre o torna particularmente suscetível a irregularidades, embora tenha reforçado que o combate à fraude é uma ação permanente da instituição.

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Detenções e acusações formais

Promotores de Paris confirmaram que nove pessoas foram detidas e formalmente acusadas de participação no esquema criminoso. Entre os suspeitos estão dois guias turísticos chineses que, com suposta ajuda de funcionários do museu, reutilizavam o mesmo ingresso várias vezes para diferentes grupos de visitantes.

O esquema funcionava de maneira organizada: os guias levavam até 20 grupos por dia ao museu utilizando bilhetes já validados, evitando assim o pagamento das taxas obrigatórias. Investigadores estimam que as perdas financeiras ultrapassem os 10 milhões de euros desde o início das atividades ilegais.

Mecanismos de fraude migraram para o ambiente digital

Pham alertou que o problema das fraudes está cada vez mais concentrado no ambiente online, onde aproximadamente 90% dos ingressos do Louvre são adquiridos. Entre as irregularidades identificadas estão:

  • Compras fraudulentas com cartões de crédito roubados
  • Desvio de ingressos gratuitos para revenda no mercado paralelo
  • Utilização de bilhetes falsos produzidos digitalmente

O administrador comparou a situação à venda de entradas para shows muito concorridos, onde a escassez de ingressos – agravada pelo limite diário de visitantes adotado após a pandemia – atrai fraudadores em busca de lucro fácil.

Medidas de segurança reforçadas

Em resposta às investigações, o Louvre implementou novas medidas de controle nos pontos de acesso. Agora, bilhetes individuais podem ser escaneados no máximo duas vezes, enquanto ingressos de grupos têm validação única, impedindo a reutilização para novos visitantes.

O museu também intensificou as verificações antes dos pontos de acesso e dentro das galerias, além de afastar temporariamente dois funcionários investigados pelo suporte ao esquema. A instituição ressaltou que os empregados seguem presumidos inocentes até a conclusão das apurações judiciais.

Série de problemas recentes no museu

O caso das fraudes surge em um momento delicado para o Louvre, que enfrenta uma sequência de incidentes nos últimos meses:

  1. Furto das Joias da Coroa Francesa em outubro de 2025, avaliadas em 88 milhões de euros
  2. Vazamentos de água que danificaram livros raros da coleção
  3. Paralisações e greves espontâneas de funcionários por melhores condições de trabalho
  4. Problemas relacionados ao turismo excessivo e falta de pessoal

Questionado se os episódios recentes indicam descontrole na administração, Pham rebateu: "O Louvre é simplesmente o maior museu do mundo". O administrador descreveu a instituição como um edifício histórico que começou a surgir no século XIII e passou por transformações até o século XX, o que naturalmente gera dificuldades em uma estrutura tão complexa.

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Complexidade histórica e desafios estruturais

Pham reconheceu falhas nos mecanismos de controle, mas destacou que foi o próprio museu que alertou as autoridades policiais sobre o esquema de fraudes. Ele também negou que a falta de funcionários – apontada durante as recentes greves – tenha contribuído para as irregularidades, afirmando que "o quadro de pessoal está em nível adequado para essas funções".

O administrador-geral enfatizou que o Louvre continua sendo uma referência mundial na preservação cultural, mesmo enfrentando os desafios inerentes a sua escala e importância histórica. As investigações sobre o esquema de fraudes seguem em andamento, com novas informações sendo analisadas pela Promotoria de Paris.