Caso de estupro infantil em festa 'chemsex' choca a França com dez indiciados
A Procuradoria da República da França confirmou nesta terça-feira (3) um caso que tem abalado a opinião pública francesa: dez homens foram indiciados em Lille, no norte do país, por drogarem e estuprarem um menino de apenas cinco anos durante uma festa. O crime, que inclui a suposta participação do próprio pai da criança, veio à tona após investigações que começaram em fevereiro do ano passado, mas só se tornaram públicas agora.
Detalhes do crime e prisões dos envolvidos
Os indiciados, com idades entre 29 e 50 anos, participavam de uma festa no apartamento de dois deles, localizado no centro turístico de Lille. A reunião foi descrita como uma festa 'chemsex', prática que envolve sexo com o uso de substâncias psicoativas. Segundo as autoridades, os acusados utilizaram uma droga chamada 3-MMC (3-Metilmetcatinona), conhecida por reduzir a inibição e aumentar o desejo, mas que também pode causar convulsões, derrames e ataques cardíacos.
O pai da criança foi indiciado por "agressão sexual incestuosa" e, de acordo com as investigações, também teria sido drogado e estuprado na mesma noite. Nove dos dez acusados foram presos, enquanto um deles teria cometido suicídio na cadeia em junho passado. O caso veio a público após a prisão em Estrasburgo, na semana passada, de um homem que recebeu um vídeo do estupro e não o denunciou.
Consequências legais e proteção à vítima
Pela lei francesa, os acusados de estupro podem enfrentar penas de prisão perpétua. Já o homem preso por posse de imagens pornográficas envolvendo o menor pode ser condenado a até cinco anos de prisão. A submissão química, termo usado para descrever a administração de drogas para forçar atos sexuais sem consentimento, tem se tornado uma preocupação crescente na França, com vários casos de grande repercussão nos últimos anos.
O menino vítima do crime tem recebido atendimento especializado desde o ocorrido. Seus pais são divorciados, e ele mora com a mãe; o direito de visita do pai foi suspenso pelas autoridades.
Contexto de casos similares na França
Este caso se soma a uma série de incidentes que têm chocado a sociedade francesa. Em 2024, o caso da aposentada Gisèle Pelicot ganhou destaque: ela foi estuprada por dezenas de homens ao longo de uma década, com a cumplicidade do marido, que a drogava. O marido foi condenado a 20 anos de prisão, e outros 50 homens receberam penas de 3 a 13 anos.
Mais recentemente, na semana passada, o senador francês Joël Guerriau foi condenado a quatro anos de prisão por tentar drogar a deputada Sandrine Josso em seu apartamento em Paris. Ele colocou ecstasy em uma taça de champanhe oferecida à deputada, que conseguiu sair do local e buscar atendimento médico. Guerriau está recorrendo da decisão em liberdade.
Esses casos destacam a urgência em combater a submissão química e proteger vítimas vulneráveis, especialmente crianças, em um contexto onde a prática do 'chemsex' e o uso de drogas em ambientes sexuais têm levantado alarmes entre as autoridades e a população.



