Ex-príncipe Andrew deixa delegacia após 11 horas detido por suspeitas ligadas a Jeffrey Epstein
Ex-príncipe Andrew deixa delegacia após prisão no Reino Unido

Ex-príncipe Andrew deixa delegacia após 11 horas de detenção no Reino Unido

O ex-príncipe britânico Andrew deixou a delegacia de polícia nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, após passar cerca de 11 horas detido. A prisão ocorreu em meio a investigações por má conduta no exercício de cargo público, que envolvem possíveis ligações com o criminoso sexual Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual.

Detenção em cela básica e situação atual

De acordo com um especialista em segurança pública ouvido pela emissora britânica BBC, Andrew estava detido em uma cela em uma delegacia com apenas uma cama e um vaso sanitário. Uma foto da agência Reuters mostra o ex-Duque de York aparentemente assustado dentro de um carro após deixar a prisão. Até o momento, não há informações sobre onde ele foi levado após deixar a delegacia, localizada em Norfolk, nem existem acusações formais ou condenações, pois a apuração está em estágio inicial.

Crime grave com possibilidade de prisão perpétua

A detenção de Andrew colocou em evidência um dos crimes mais severos do ordenamento jurídico do Reino Unido. De acordo com o Crown Prosecution Service (CPS), órgão responsável por autorizar acusações criminais na Inglaterra e no País de Gales, a má conduta em cargo público é um crime de common law, baseado em precedentes judiciais históricos e não em uma lei específica aprovada pelo Parlamento. Em tese, esse tipo de delito pode levar à prisão perpétua, intensificando a gravidade da situação.

Investigação ligada a e-mails de Jeffrey Epstein

A investigação ganhou força após a divulgação, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, de milhões de documentos relacionados ao financista Jeffrey Epstein. Entre eles, e-mails tornados públicos sugerem que Andrew teria compartilhado:

  • Relatórios de visitas oficiais a países como Hong Kong, Vietnã e Singapura
  • Um suposto documento confidencial sobre oportunidades de investimento na reconstrução da província de Helmand, no Afeganistão

Essas revelações ampliaram o escopo das apurações, conectando a má conduta pública a atividades potencialmente ilegais.

Crise na monarquia britânica e reação real

Nos últimos anos, Andrew já havia se afastado da vida pública após controvérsias envolvendo sua relação com Epstein, perdendo títulos honorários e funções oficiais. No entanto, a prisão marca um novo patamar na crise que atinge a monarquia britânica. Após a detenção de seu irmão mais novo, o rei Charles III afirmou nesta quinta-feira que "a lei deve seguir seu curso". Em comunicado oficial, o monarca declarou que a família real dará "total e irrestrito apoio e cooperação" às autoridades responsáveis pela apuração, demonstrando a seriedade com que a instituição está tratando o caso.

Contexto histórico e implicações futuras

Esta não é a primeira vez que Andrew enfrenta escândalos ligados a Epstein, mas a detenção representa uma escalada significativa nas consequências legais. A investigação continua em andamento, com autoridades coletando evidências e analisando documentos. O caso tem gerado ampla cobertura midiática e discussões públicas sobre a responsabilidade de figuras públicas, potencialmente afetando a imagem da monarquia no longo prazo. Especialistas destacam que o desfecho poderá influenciar reformas na legislação sobre conduta de autoridades no Reino Unido.